O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, disse que a reunião do Conselho de Estado desta quinta-feira vai servir para, «mais uma vez», o Presidente da República «oxigenar o seu Governo» e a política de austeridade.

«Não temos grandes expetativas relativamente à reunião do Conselho de Estado. Trata-se de, mais uma vez, o Presidente da República oxigenar o seu Governo e dar um balão de oxigénio a uma política que está condenada e que está a condenar o país ao insucesso», frisou.

João Semedo falava aos jornalistas no concelho de Castro Verde, junto à Escola Básica do 1.º Ciclo com Jardim de Infância da localidade de Casével, que vai fechar no próximo ano letivo.

À margem da iniciativa, questionado sobre a reunião do Conselho de Estado, que começou cerca das 17:50, no Palácio de Belém, o coordenador do Bloco de Esquerda (BE) considerou que o encontro significa «a insistência num caminho».

«O BE tem outra alternativa, um outro caminho, que é a reestruturação da dívida. Se não restruturamos a dívida, a alternativa que existe é insistir na austeridade e vamos ter os mesmos resultados que tivemos ao longo destes três anos», em que «tudo piorou no país», argumentou.

Sobre se o consenso político a que Cavaco Silva tem apelado, várias vezes, poderá ser tema de discussão na reunião, João Semedo afirmou que o Governo e a coligação PSD/CDS-PP que o sustenta estão «isolados do ponto de vista social e político».

«O Presidente da República insiste no consenso porque, como toda a gente já percebeu, este Governo perdeu o apoio social e político maioritário. É por isso que falam em consenso, querem mais apoio para uma política que já perdeu todo o apoio do povo português», considerou.

O consenso que existe em Portugal é «contra a austeridade e contra o Governo», segundo o coordenador do BE, que defendeu que, «se o Presidente da República fosse sensível ao consenso que existe, o que faria era demitir» o Governo.

«A única alternativa que existe é demiti-lo e quanto mais depressa melhor. Quanto mais depressa houver eleições, mais rapidamente o povo poderá escolher um outro caminho para tirar o país da crise», sublinhou.