As ruas de Coimbra foram demasiado pequenas para o número de apoiantes que o Bloco de Esquerda encontrou à sua passagem. A caravana bloquista, liderada por Catarina Martins, o cabeça de lista por Coimbra, José Manuel Pureza, e Marisa Matias, percorreu a baixa da cidade na tarde desta segunda-feira como se fosse um clube de futebol a jogar em casa.

A marcha começou ás 17:30. Do princípio ao fim, as palavras de incentivo e os elogios à candidata às legislativas multiplicaram-se. E daqui o Bloco leva mais uma prova - se ainda fosse preciso haver alguma - de que já deixou de ser um partido associado a um eleitorado mais jovem, para carregar em força o apoio dos mais velhos, particularmente dos idosos. 

"É a única política que não me envergonha. A vossa postura dignifica este país. Este país tem futuro, não sei qual, mas tem futuro. Vôces são uma diferença que vale a pena."


A frase é de um popular que fez questão de se dirigir a Catarina Martins, quando se deparou com a marcha do Bloco. Desiludido com o estado do país e da política nacional, deixou o apoio, mas confessou à porta-voz do partido que não pretende ir votar, "mais uma vez". Palavras a que a candidata não ficou indiferente, "Não deixe que a desilusão com quem o tratou mal se transforme em desilusão pela democracia", apelou.

Os comerciantes das lojas e lojinhas da zona histórica recebiam os jornais do partido de braços abertos. Os que por ali passavam também não hesitavam em mostrar o que lhes ia na alma. Por vezes de forma mais contida, "É preciso tirar de lá esta gente", outras vezes de forma mais exaltada, sem papas na língua.

 "Vocês só têm um defeito, pode falar nos partidos todos, mas fale mais do Coelho. Ponha-o de lá para fora. Eu fazia-lhe como fazia aos coelhos antigamente, estripava-o."


À provocação desta senhora, Catarina Martins e José Manuel Pureza responderam com ponderação: "Vamos derrotá-lo politicamente, com o voto".

É certo que os comentários à pequena estatura da porta-voz do Bloco já são uma constante, mas em Coimbra vale a pena referi-los. "Posso dar-lhe um beijinho? A ver se isto cresce, que a menina está sempre pequenina!"

A arruada terminou de forma especial, com Simão e os seus donos. Um cão que também "ouviu" as promessas dos bloquistas, desta vez em relação aos direitos dos animais. Catarina Martins prometeu fazer melhor, sobretudo ao nível das condições dos canis e dos gatis públicos.

As gaitas de foles pararam, por fim. Eram cerca de18:30. Coimbra, porém, ainda não terminou. À noite, um comício na cidade junta as vozes de Catarina Martins, Francisco Louçã e José Manuel Pureza.