"Lisboa é muito importante, mas todo o país é importante." Catarina Martins prefere falar do país, do que centrar a aposta do partido em Lisboa, mas, a verdade, é que é em Lisboa que está a base eleitoral mais forte do Bloco de Esquerda. E é em Lisboa que a concorrência também aperta e ganha um simbolismo particular. Aqui, a deputada revelação do partido, Mariana Mortágua, enfrenta uma das figuras mais sonantes da história do Bloco, Ana Drago, a antiga deputada bloquista que concorre a estas legislativas pelo Livre/Tempo de Avançar. Esta quarta-feira à tarde, as bandeiras ergueram-se para tomar conta de Lisboa. 

Na estátua do poeta António Ribeiro Chiado, no Largo do Chiado, uma bandeira do partido assinalava o ponto de encontro da arruada. Eram 17:30. Catarina Martins marcou o passo, acompanhada dos números um e dois por Lisboa, Mariana Mortágua e Pedro Filipe Soares. Francisco Louçã e Fernando Rosas foram outras das figuras do Bloco a marcar presença. 

A caravana desceu as ruas da baixa ao sabor da música dos Kumpania Algazarra, captando as atenções de turistas e curiosos. O aparato era enorme. Quem por ali passava, de telemóvel na mão, não queria perder o registo do momento. À porta das lojas e dos cafés, funcionários, homens e mulheres de uniformes ou aventais, paravam para ver a caravana passar. "No domingo lá estarei", assegurou um lojista que fez questão de cumprimentar Catarina Martins.

Poucos minutos depois do arranque da arruada, Mariana Contrão, de 18 anos, fez a marcha parar. Tinha uma pergunta muito concreta para colocar à porta-voz do Bloco. "O que pretende fazer em relação às pessoas que, como eu, estudam artes?".

Aluna no Liceu Camões e no Conservatório Nacional, a jovem quer seguir o meio artístico. "Ser atriz ou algo ligado à produção musical". Mas as dificudlades do setor causam receio e, por isso, não descarta a hipótese de emigrar.

"Queremos que fiquem cá", começou por responder Catarina Martins. A candidata às legislativas prometeu o apoio ao ensino artístico, sublinhando que "conhecimento é cultura, é ciência". 

Mariana contou que está inclinada a votar no Bloco de Esquerda. Apesar de considerar que o partido tem algumas ideias mais radicais "em termos económicos", é aquele com que se identifica mais, Os debates televisivos com Catarina Martins e as intervenções de Mariana  Mortágua contribuíram para esta identificação, acrescentou.

A caravana ia pela Rua Nova do Almada quando, à varanda, alguns populares acenaram aos bloquistas. As palavras de ordem continuavam. Lisboa "era Bloco e era esquerda". 

O Bloco encheu Lisboa, onde é mais forte. Mas Lisboa não terá preenchido o partido, pois foram poucos os que se dirigiram a Catarina Martins. Muito menos, se se comparar com a arruada na Rua Morais Soares, na semana passada, 

Agora, o regresso só no "dia d". O domingo que vai decidir o futuro do país faz-se aqui, no distrito que também deverá decidir muito sobre o futuro do partido.