Catarina Martins explicou, na quarta-feira, por que não aceitou fazer parte de um Governo PS. A líder do Bloco de Esquerda assumiu que a recusa dos socialistas em desrespeitar o tratado orçamental foi um “constrangimento” que não lhe permitiu “chegar tão longe” na convergência política.
 
“O Partido Socialista só aceitou fazer alterações ao seu programa desde que respeitasse o tratado orçamental e excluindo a possibilidade de reestruturação da dívida. E isso impede medidas que para o Bloco de Esquerda são tão essenciais como, por exemplo, responder às 700 mil pessoas que estão em situação de desemprego sem subsídio social de desemprego, porque com este constrangimento orçamental não temos margem para isso. E, portanto, não chegámos tão longe na convergência política. Tinha de ser um acordo mais abrangente”, admitiu, em entrevista à RTP.
 
Se esta divergência tivesse sido ultrapassada, Catarina Martins gostaria de fazer parte do novo executivo, “porque isso significava que existiam condições políticas”.
 
Em todo o caso, a líder bloquista defendeu o  acordo alcançado à esquerda. “Não considero que este acordo seja mais frágil por causa disso ou o leve menos a sério”, sustentou.
 
Sobre o facto de o acordo estipular que os Orçamentos do Estado são discutidos e aprovados anualmente e não para os quatro anos da legislatura, Catarina Martins começou por responder com uma questão:
 

“Ainda há cheques em branco sobre orçamentos? Todos os Orçamentos do Estado que foram negociados em coligações foram negociados orçamento a orçamento.”

 
E prosseguiu na justificação. “Sempre que há várias forças políticas a aprovar um orçamento negoceia-se o orçamento. Pela razão simples, que as pessoas conhecem: eu não conheço o orçamento de 2019, o António Costa também não o conhece, nem o Jerónimo de Sousa e, portanto, não podíamos assinar um papel a dizer que estávamos todo de acordo com o orçamento de 2019”, argumentou.