O deputado do BE Pedro Filipe Soares considera que os custos com o BPN, que, segundo o Tribunal de Contas, triplicaram face a 2011, surpreendem pela «dimensão do buraco» e criticou a forma como governantes lidaram com o processo.

«O que surpreende, mesmo que esperado, é que o buraco vai aumentando», disse o deputado a propósito de uma auditoria do Tribunal de Contas que deu conta de que as entidades que gerem os ativos tóxicos do BPN triplicaram os seus custos entre 2011 e 2013, atingindo os 2,2 milhões de euros.

Para Pedro Filpe Soares, é também surpreendente «a sobranceria que existe no lidar com todo este processo, quer na nacionalização, onde se assumiu culpas que eram da responsabilidade dos privados, quer na privatização, onde se assumiram os custos do buraco», defendeu.

«Nós sempre dissemos que a nacionalização do BPN foi um erro e, ao longo dos anos, temos vindo a pagar esses erros. São mais de dois mil milhões de euros, dinheiro que saiu do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social, da Escola Pública para pagar o buraco dos desmandos da administração do BPN», sublinhou.

No entender do deputado, quem escolheu nacionalizar o BPN, «escolheu colocar nas contas públicas uma bomba que já rebentou, mas cujos efeitos ainda tem impactos nos dias de hoje».

BES? Até às últimas consequências

O deputado do Bloco de Esquerda Pedro Filipe Soares reiterou que o «caso Banco Espírito Santo» deve ser levado até às últimas consequências, inclusive criminais, e dadas as condições necessárias ao Ministério Público para apurar responsabilidades.

Pedro Filipe Soares comentava assim à agência Lusa a notícia de que o Banco Central Europeu terá obrigado o BES a «reembolsar integralmente» o crédito contraído junto do banco central, no mesmo dia em que suspendeu o acesso às suas linhas de financiamento, como refere uma ata do Banco de Portugal (BdP) divulgada por uma sociedade de advogados.

«O ponto principal que temos de perceber é como tudo começou. Não podemos esquecer que existiram falhas devido à culpa da administração e uma enorme falha de supervisão», disse.

O deputado lembrou que o plano agora executado «não era o plano A do Banco de Portugal nem do Governo», que passaria por uma injeção de capital dos privados.

«Ficámos agora a saber é que existiu um ultimato do BCE que está a ser utilizado como justificação para esta decisão. Não podemos esquecer a história toda que nos trouxe a este culminar e essa história é uma história de incumprimento por uma administração», disse.

No entender de Pedro Filipe Soares, o caso deve ser levado até às últimas consequências, inclusive criminais.

«Devem ser dadas todas as condições ao Ministério Público, incluindo financeiras, para poder de uma forma célere e eficaz apurar responsabilidades e fazer com que se cumpra justiça. Não podemos esquecer também que só chegámos a este ponto pela inação do Banco de Portugal e pela permissividade do sistema financeiro do qual tem um papel importantíssimo o BCE», concluiu.