O Bloco de Esquerda foi claro: não há nenhum consenso possível com a coligação PSD/CDS-PP. A porta-voz do partido rejeitou, esta sexta-feira, qualquer diálogo com a direita, depois de Passos Coelho ter apelado a uma união dos partidos no Parlamento. Durante o comício do Bloco, em Faro, Catarina Martins voltou a referir-se à devolução da sobretaxa para dizer que o plano do Governo "é uma treta".

Passos Coelho apelou a uma união das forças políticas após as eleições, mas o partido de Catarina Martins diz que não há diálogo que seja possível. "Não há consenso, há escolha", defendeu. 

"Não há nenhum consenso entre quem quer 4.000 milhões de euros para tapar o buraco do BES e quem quer usar esse dinheiro para os desempregados deste país. Não há consenso. Ou escolhemos o Serviço Nacional de Saúde ou escolhemos as PPP. Não há consenso entre privatizações ou defender o país. Não há consenso, há escolha".


A candidata às legislativas vincou, assim, as diferenças que separam o Bloco e a direita e até ironizou. "Passos decidiu juntar ao engano o apelo ao consenso. Soubemos agora que Passos é um homem que gosta de diálogos."

"Preferem Passos Coelho que em 2011 disse que não ia cortar o subsídio de Natal ou Passos Coelho de 2015 que vai devolver a sobretaxa?


Antes de atacar o apelo de Passos, Catarina Martins não fugiu ao assunto do dia, a devolução da sobretaxa anunciada esta sexta-feira, para dizer que o plano do Governo "é uma treta".

"O plano é genial. Só tem um problema: é uma treta."


 A dirigente bloquista sublinhou que a campanha eleitoral da coligação tem sido pautada por  "enganos e mentiras", sublinhando aqueleas que têm sido as convicções do Governo.

"Passos Coelho está convencido de que vai devolver a sobretaxa, Maria Luis Albuquerque está convencida de que vai cumprir o défice, o Governo está convencido que é uma máquina exportadora quando a maior exportação foram os emigrantes."


Ex-PS Alfredo Barroso deixa recado aos socialistas


O auditório do Instituto Português da Juventude de Faro, com cerca de 300 lugares, estava à pinha para o comício do Bloco. Antes de Catarina Martins, o ex-militante do PS, Alfredo Barroso subiu ao palco para deixar um aviso ao PS, a"esquerda rotativa", como lhe chama, que "não tem emenda".

"Fica aqui um aviso à esquerda de Governo, ou esquerda rotativa como eu lhe chamo, que pelos vistos não tem emenda: sem ruturas irá claudicar mais uma vez se alcançar o poder por incapacidade de resistir às forças não legitimadas democraticamente que continuam a condicionar as vidas de milhões de portugueses. Não há austeridade suave.”


O agora apoiante do Bloco, recorde-se, entregou o seu cartão de militante do PS este ano depois do polémico discurso que António Costa fez perante a comunidade chinesa, na Póva de Varzim.

Alfredo Barroso arrancou aplausos e gargalhadas. Estas ao falar das promessas não cumpridas do Governo "Não sei se sabem, mas o vinho tinto alentejano que foi servido num almoço da coligação chama-se Amnésia".

E terminou a intervenção como "há muitos anos,  fazia nos comícios: Viva à República, viva o Socialismo e, neste caso, viva o Bloco de Esquerda”.