A coordenadora do Bloco de Esquerda criticou hoje o PSD por anunciar desgraças e sublinhou que o acordo que assinou com o PS para travar o empobrecimento do país é para cumprir no Orçamento de Estado de 2017.

"A cada mês que passa o Dr. Passos Coelho vê uma catástrofe e nós queremos o oposto", afirmou Catarina Martins aos jornalistas na Feira Nacional da Cebola, em Rio Maior, em resposta ao discurso de ‘rentrée' do líder do PSD, proferido hoje na Universidade de Verão do partido, em Castelo de Vide.

A líder do Bloco de Esquerda disse que o acordo estabelecido com o PS e PCP para dois anos "é para ser cumprido" no Orçamento do Estado ara 2017.

Catarina Martins defendeu que "que não pode haver cortes salariais em 2017, têm de acabar todos os cortes de pensões também em 2017, a sobretaxa que já acabou para 90% tem de acabar para todos os portugueses e é preciso voltar a haver progressividade nos escalões do IRS para proteger quem vive do seu trabalho".

Esclarecimentos que Catarina Martins deu no dia em que a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou que é ao bolso da classe média que a "esquerda unida" vai buscar o dinheiro e em que Passos Coelho disse que a atual solução governativa está condenada ao "fiasco e ao fracasso", considerando que PS, BE e PCP apenas se entendem para gerir o dia-a-dia e qualquer reforma provoca desentendimentos.

Para a coordenadora do BE, "a visão que Passos Coelho tinha para o país falhou e agora far-se-á outro caminho", já que "Portugal experimentou a receita da direita e com isso houve um desemprego enorme, contas públicas mais frágeis, uma dívida pública a aumentar e um sistema financeiro cada vez mais frágil e a criar problemas à economia".

De visita à Feira Nacional da Cebola, Catarina Martins disse que o BE vai propor ao Governo que "é preciso apostar em circuitos curtos de distribuição mais reduzidos para que os produtos sejam consumidos próximo de onde são produzidos", como forma de proteger os pequenos produtores da grande distribuição.

"Temos um setor onde a produtividade tem vindo a aumentar nos últimos tempos, mas as pessoas que trabalham na agricultura ganham cada vez menos embora sejam cada vez mais produtivas", disse.