A líder do BE defendeu esta segunda-feira um “plano combinado” entre os ministérios do Trabalho e da Economia para o grupo têxtil Ricon e a antiga Triumph, lembrando que mais de mil operárias especializadas vão ficar desempregadas.

Em Vila Nova de Famalicão, à porta da Ricon, Catarina Martins alertou ainda para os "indícios que alguma coisa correu muito mal" e "está mal explicada" em todo o processo de insolvência daquele grupo têxtil, que deixará sem emprego cerca de 800 trabalhadores, considerando que "há no mínimo razões" para o Ministério Público investigar.

O BE apresenta, esta semana, na Assembleia da República, um projeto de resolução sobre a necessidade de o Governo acionar planos de recuperação combinados entre o ministério do Trabalho e da Economia tanto para a Ricon, como para a Triumph", que fabricava roupa interior, anunciou a líder bloquista.

Segundo referiu Catarina Martins, juntando os dois casos, "são mais de 1.000 operárias especializadas que se veem a perder o posto de trabalho logo no início do ano e é preciso um plano combinado que assegure o apoio que é preciso, que assegure que os seus direitos são integralmente respeitados, mas assegure também o investimento necessário para que não se perca a capacidade industrial instalada e para que não se perca o conhecimento e a experiência destas operárias especializadas, de que o país precisa".

A líder bloquista salientou ainda que o turismo não pode ser o único setor importante para Portugal.

O país não pode viver só de sol e praia, nós precisamos de indústria e, portanto, para nós é muito importante que o Governo dê esse passo de um programa especializado, combinado, para estes dois casos", apontou.

Difícil de compreender

Quanto ao caso do fecho da Ricon, que envolve o encerramento e liquidação de oito empresas, incluindo da detentora das lojas da marca GANT em Portugal, a líder do Bloco considerou ser difícil compreender a insolvência do grupo.

Há, em todo o caso, aqui indícios que alguma coisa correu muito mal, que alguma coisa está muito mal explicada e aqui fala-se de insolvência fraudulenta e não é por acaso. Estamos a falar de um grupo com lucro, com encomendas, que de repente fecha de uma forma que ninguém é capaz de explicar", referiu.

Catarina Martins deu assim eco às vozes das ex-operárias do grupo, com quem reuniu, que apontam o dedo à gestão do grupo: "Tudo indica é que houve um administrador, dono do grupo, que decidiu descapitalizar a empresa para investir noutros negócios ruinosos e, é público, basicamente desistir da fábrica com 800 trabalhadoras para investir em Porsches e outras coisas e depois querer desfazer-se das trabalhadoras", apontou a líder do BE.

Por isso, insistiu, o BE defende a necessidade de uma intervenção do Ministério Público no processo.

Há no mínimo razões para investigar. Nós não sabemos se a insolvência é fraudulenta ou não, mas que parece, parece. Não se compreenderia se a insolvência não fosse investigada", apontou.

E acrescentou: "com todo o respeito da separação de poderes, não nos cabe a nós dizer o que o Ministério Público deve fazer, mas acho que o país compreende que questões como esta têm que ser explicadas e devem ser investigadas".