"Amanhã é um dia díficil para o Governo, porque é o dia de prestar contas com o que tem andado a fazer. E nem sequer estou a falar das contas à Segurança Social, nem dos trabalhos na Tecnoforma. Amanhã vamos ficar a saber o défice que vamos ter em 2014. Amanhã vamos ficar a saber que o défice de 2014 é igual ao de 2011 e que o que andaram a fazer foi a empobrecer o país."

O caso BES serviu, de resto, para a dirigente bloquista disparar críticas em direção ao Governo, durante o jantar-comício em Leiria, esta terça-feira. Catarina Martins afirmou que no que toca à "vida das pessoas" o Executivo não teve dúvidas em aplicar cortes para cumprir as metas do défice, mas que a atitude foi bem diferente em relação ao sistema financeiro. 

"Estamos aqui para acertar contas com o sistema financeiro, que teve todo o privilégio."

As críticas foram para a direita, mas também para o Partido Socialista. Se de manhã, a porta-voz do Bloco tinha reiterado a ideia de que o partido estava disponível para um diálogo com os socialistas, mediante certas condições, à noite, Catarina Martins usou a questão da dívida para atacar o PS.

"No dia 4 de outubro é preciso acertar as contas, sabendo que o gigantesco buraco da dívida é o gigantesco buraco onde cabem PSD e CDS, mas onde cabe também o PS. O buraco que PSD e CDS foram cavando para o país é o mesmo que o PS continuará a cavar porque não é capaz de assumir a responsabilidade de lidar com a dívida e o sistema financeiro."

E no seguimento das críticas, a dirigente do Bloco repetiu aquela que tem sido uma das ideias centrais da sua campanha: a de que há mais do que duas escolhas a 4 de outubro, a de que é necessário combater o voto útil.

"Pedimos que pensem qual é o voto útil. Não será o voto útil aquele de quem nunca baixa a cabeça? De quem foi ao Tribunal Constitucional e não deixou que houvesse mais cortes? [...] Há uma alternativa e chama-se Bloco de Esquerda."

Propostas radicais? Catarina Martins admite o radicalismo, mas apenas no que se refere à defesa dos direitos dos cidadãos.

"Quando nos dizem que as propostas do Bloco são radicais dizemos que sim: somos radicalmente defensores da dignidade, defensores de quem leva o trabalho a sério e não pode compactuar com falsos estágios nem com o abuso."

"Orbán é da família política de Passos e Portas"

Antes da intervenção da porta-voz do Bloco, Marisa Matias usou da palavra para falar em "milhares de lesados do programa do PSD". A bloquista afirmou que no dia 4 de outubro é "dia nacional da cobrança".

"Os que não pagaram os direitos a que temos direito vão ter de pagar dia 4 porque é o dia nacional da cobrança."

A crise de refugiados na Europa foi outro dos temas abordados durante a intervenção da eurodepuatda, que atacou os líderes da União Europeia pela resposta "vergonhosa" ao problema.

"Esta não é a nossa Europa, não é o nosso projeto." 

"A quota vai em 4000. Nós somos um país de emigração. Nós temos a história do acolhimento, temos capacidade para receber mais que 4000 refugiados."

Para Marisa Matias, há "condições" para acolher refugiados na Europa, o que falta é "vontade política".

E a propósito do que está a acontecer na Hungria, a eurodeputa afirmou que isto só se verifica naquele país porque Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro, é da "família política" de Passos Coelho e Paulo Portas.

"O que se passa na Hungria só se passa na Hungria porque o primeiro-minsitro é Orbán, da família política de Passos Coelho e de Paulo Portas."

Neste jantar-comício, também discursou o cabeça de lista por Leiria, Heitor de Sousa, que elencou os problemas da região, apresentando um manifesto eleitoral com 25 medidas que o partido quer aplicar neste distrito. O economista, que já foi deputado entre 2009 e 2011, apelou ao voto, para que Leiria possa, precisamente, recuperar "à esquerda" o deputado que perdeu nas últimas eleições.