A portaria sobre o Metro de Lisboa, entregue aos espanhóis da Avanza, foi assinada, publicada e entrou em vigor esta quarta-feira, a 12 dias das eleições legislativas. E o facto não passou ao lado do Bloco de Esquerda, que criticou o negócio e o momento em que se concretiza, durante um comício em Setúbal. 

Catarina Martins recordou que a indemnização compensatória estava fixada nos 32 milhões de euros e agora, o Estado fica com a dívida da empresa pública, paga parte dos salários aos trabalhadores e entrega ao privado 55 milhões de euros por ano.

"Ontem num anexo lá escondido do Diario da Republica  saiu o quanto vamos poupar na concessão a uma empresa privada. [...] O que nos diz o Diário da República é que nos próximos oito anos estaremos a pagar 55 milhões euros por ano numa subconcessão, quando no público pagávamos 33 milhões de euros por ano."

As privatizações têm, de resto, suportado muitas das críticas do Bloco de Esquerda ao Governo. Em Setúbal, o tema servia como uma luva e a dirigente do Bloco soube apelar aos residentes do distrito. Catarina Martins falou das PPP da margem sul, que as pessoas "ainda estão a pagar" e exemplificou com a Fertagus e a Ponte 25 de Abril.

A candidata às legislativas afirmou que "há quatro anos" o primeiro-ministro dizia que "estava a lutar contra" as PPP, mas que agora elas estão "a florescer".

"Em nome do Espírito Santo, do pai, Cavaco Silva e do filho, Pedro Passos Coelho"

Antes da porta-voz do Bloco subir ao palco neste comício, foi a cabeça de lista por Setúbal, Joana Mortágua, que teve a palavra para fazer um discurso cheio de metáforas bíblicas.

A candidata a deputada falou em três milagres do Governo: o milagre de Pires de Lima quando o ministro da Economia disse que "o país estava melhor", o milagre da "multiplicação do défice" e o "milagre da austeridade."

"Em nome do Espírito Santo, do pai Cavaco Silva e do filho Pedro Passos Coelho", disse sobre o "milagre da multiplicação do défice", depois do rombo do Novo Banco. 

Depois, Joana Mortágua comparou a coligação com o PS, usando as cabeças de lista pelo distrito de Setúbal. Para a candidata, o que as separa é apenas uma "diferença semântica", referindo-se à questão das pensões.

"Aqui em Setúbal, na discussão entre Maria Luís Albuquerque e Ana Catarina Mendes há uma diferença semântica", sublinhou para depois se referir ao plafonamento da Segurança Social do PSD/CDS-PP e à redução de 1660 milhões de euros do PS.