Catarina Martins atacou esta quinta-feira a subconcessão do Metro de Lisboa, afirmando que agora o país "vai pagar 55 milhões de euros por ano" com o sistema de transportes no privado, quando "pagava 32 milhões de euros por ano" com o metro no público. Os valores foram publicados esta quarta-feira em Diário da República "num anexo meio escondido", anunciou a porta-voz do Bloco de Esquerda, que se referiu ao negócio como a "maior PPP dos últimos anos". A porta-voz do partido sublinhou que este negócio custa mais ao Estado do que a indemnização compensatória.

A portaria sobre o Metro de Lisboa, entregue aos espanhóis da Avanza, foi assinada, publicada e entrou em vigor esta quarta-feira, a 12 dias das eleições legislativas. E o facto não passou ao lado do Bloco de Esquerda, que criticou o negócio e o momento em que se concretiza, durante um comício em Setúbal. 

Catarina Martins recordou que a indemnização compensatória estava fixada nos 32 milhões de euros e agora, o Estado fica com a dívida da empresa pública, paga parte dos salários aos trabalhadores e entrega ao privado 55 milhões de euros por ano.

"Ontem num anexo lá escondido do Diario da Republica  saiu o quanto vamos poupar na concessão a uma empresa privada. [...] O que nos diz o Diário da República é que nos próximos oito anos estaremos a pagar 55 milhões euros por ano numa subconcessão, quando no público pagávamos 33 milhões de euros por ano."

Com muita ironia à mistura, Catarina Martins disse que Passos Coelho e Paulo Portas cantaram juntos "amigos para sempre". A bloquista acrescentou que talvez estivessem a falar destes concessionários "a quem deram generosas borlas com uma PPP gigantesca, a maior dos últimos anos, a ser entregue a duas semanas das eleições. "

As privatizações têm, de resto, suportado muitas das críticas do Bloco de Esquerda ao Governo. Em Setúbal, o tema servia como uma luva e a dirigente do Bloco soube apelar aos residentes do distrito. Catarina Martins falou das PPP da margem sul, que as pessoas "ainda estão a pagar" e exemplificou com a Fertagus e a Ponte 25 de Abril.

A candidata às legislativas afirmou que "há quatro anos" o primeiro-ministro dizia que "estava a lutar contra" as PPP, mas que agora elas estão "a florescer".


"Em nome do Espírito Santo, do pai, Cavaco Silva e do filho, Pedro Passos Coelho"


Antes da porta-voz do Bloco subir ao palco neste comício, foi a cabeça de lista por Setúbal, Joana Mortágua, que teve a palavra para fazer um discurso cheio de metáforas bíblicas.

A candidata a deputada falou em três milagres do Governo: o milagre de Pires de Lima quando o ministro da Economia disse que "o país estava melhor", o milagre da "multiplicação do défice" e o "milagre da austeridade."

"Em nome do Espírito Santo, do pai Cavaco Silva e do filho Pedro Passos Coelho", disse sobre o "milagre da multiplicação do défice", depois do rombo do Novo Banco. 

Depois, Joana Mortágua comparou a coligação com o PS, usando as cabeças de lista pelo distrito de Setúbal. Para a candidata, o que as separa é apenas uma "diferença semântica", referindo-se à questão das pensões.

"Aqui em Setúbal, na discussão entre Maria Luís Albuquerque e Ana Catarina Mendes há uma diferença semântica", sublinhou para depois se referir ao plafonamento da Segurança Social do PSD/CDS-PP e à redução de 1660 milhões de euros do PS.