O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo acusou, este sábado, Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares, ambos da tendência criada pela UDP, de quererem quebrar a história de «direção partilhada» do BE, introduzindo uma «direção dominada».

João Semedo e Catarina Martins, que se recandidatam em conjunto à coordenação do BE apresentaram este sábado a moção à IX Convenção deste partido, numa sala cheia. No palco, ao lado de João Semedo e Catarina Martins, estiveram, entre outros, Marisa Matias, Mário Tomé, João Teixeira Lopes, José Manuel Pureza, Mariana Mortágua, Cecília Honório, em defesa da «harmonização de posições» e contra a «lógica de grupo» apontada à candidatura de Pedro Filipe Soares.


Questionado pela comunicação social se considera que essa candidatura desrespeita a história do partido que juntou UDP, PSR e Política XXI, João Semedo lembrou que, «durante quinze anos, a direção do BE foi partilhada com muita intimidade política» pelos fundadores.

«Houve uma partilha da liderança do BE», frisou, citado pela Lusa. João Semedo acrescentou que agora «a tendência liderada por Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares prefere, é o que decorre das decisões que tomaram, não uma direção partilhada, mas sim uma direção dominada».

De acordo com João Semedo, «é uma mudança significativa, mas a escolha foi deles, a opção foi deles» e «podiam ter tido outra opção», referiu.

«Não foi por falta de possibilidade de ter um caminho comum que esses meus camaradas optaram por outro caminho. Houve um momento em que esse caminho poderia ter sido feito, eles não o aceitaram e, portanto, a responsabilidade é deles», afirmou.

«Esses meus camaradas entenderam que este era o momento de apresentar uma proposta de uma liderança dominada, e não uma liderança de uma direção partilhada, como até agora tem sido», reiterou o coordenador do BE, considerando que «as motivações terão de ser perguntadas ao próprio Pedro Filipe Soares, que encabeça essa moção».

Quanto à permanência de Pedro Filipe Soares como líder parlamentar do BE até à Convenção, João Semedo respondeu «é um não problema». O coordenador do BE referiu que essa função depende do Grupo Parlamentar e da Comissão Política e que nenhum membro desses órgãos suscitou «qualquer problema, qualquer dificuldade, qualquer interrogação» relativamente a essa continuidade.

«Eu e a Catarina [Martins] também não suscitámos nenhum problema», adiantou. Interrogado se isso significa que os dois mantêm a confiança em Pedro Filipe Soares para exercer as funções de líder parlamentar, respondeu: «Com certeza que sim».

No que respeita à política de alianças, João Semedo voltou a defender que o BE deve construir «um polo político à esquerda do PS», reiterando a ideia de que os socialistas se têm excluído do «combate à austeridade, aos mercados, à ditadura do diretório europeu» e que nada mudou com a vitória de António Costa nas primárias socialistas.

José Gusmão, José Soeiro, António Chora e Pedro Soares foram outros dos presentes na apresentação da «Moção Unitária em Construção», através da qual João Semedo e Catarina Martins se recandidatam à coordenação deste partido, feita numa das salas da sede nacional do BE, em Lisboa.

Interrogado se havia algum motivo político para a ausência de Francisco Louçã, que também subscreve esta moção, João Semedo declarou: «Não sei, tem de lhe perguntar a ele. Eu ainda não tinha dado por isso». Depois, quando se ouviu o choro de um bebé, assinalou que se tratava da neta do ex-coordenador do BE: «Não está o Francisco, mas está a neta, e pelos vistos vai ser tão faladora como o avô».

Antes, Catarina Martins fez uma intervenção em que proclamou uma «rutura com a austeridade» e a «desobediência» à União Europeia e defendeu que é preciso «salvar as pessoas» em vez de «salvar os bancos».