A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins questionou, esta quarta-feira, a «muita pressa» do Governo para «destruir a economia» do país, referindo-se ao agendamento de uma reunião da comissão permanente do parlamento para a marcação de um plenário extraordinário.

«Este Governo tem sempre muita pressa quando se trata de destruir a economia de Portugal. Nunca se viu tanta pressa como agora: é preciso fazer plenários para ter mais cortes e portanto aprofundar o problema económico em Portugal, e isso naturalmente não é aceitável, não é disso que o país precisa», declarou a governante aos jornalistas na sede do Bloco, em Lisboa, depois de se ter reunido com uma delegação da comissão de trabalhadores dos CTT.

A bloquista falava depois de se saber que o vice-presidente da Assembleia da República Guilherme Silva convocou para quinta-feira uma reunião da comissão permanente para a marcação de um plenário extraordinário, no qual serão reapreciados os diplomas avaliados pelo Tribunal Constitucional.

Catarina Martins lamentou que «um Governo que não teve de consultar ninguém, ouvir ninguém, para entregar quase cinco mil milhões [de euros] de dívida pública ao BES esteja agora tão preocupado com normas que não representam nem um décimo» desse montante.

Ainda sobre o BES, a coordenadora bloquista voltou a insistir na necessidade de uma sindicância para averiguar sobre eventuais fugas de informação sobre a matéria, demonstrando-se também disponível para uma comissão de inquérito parlamentar sobre a situação recente no banco e no Grupo Espírito Santo (GES).

Guilherme Silva, que substitui a presidente da Assembleia da República (AR), Assunção Esteves, que se encontra ausente, disse hoje à agência Lusa que convocou para quinta-feira às 15:00 uma reunião da comissão permanente da AR, seguida de uma conferência de líderes às 16:00.

Na terça-feira, os líderes parlamentares do PSD e do CDS-PP enviaram à presidente da AR um requerimento conjunto a solicitar a marcação de uma reunião da comissão permanente com o objetivo de agendar um plenário que possa reapreciar os diplomas avaliados pelo Tribunal Constitucional, relativos aos cortes salariais no setor público e à contribuição de sustentabilidade.