O candidato à liderança do BE Pedro Filipe Soares criticou este sábado uma «uma parte da esquerda que já está derrotada» e quer «juntar-se às elites para perder por poucos», apelando à mobilização «contra o medo» e «pela utopia».

No discurso de apresentação da moção «Bloco plural», na IX Convenção Nacional do partido, o atual líder parlamentar insurgiu-se contra os que falam de «divisões» entre a direção do BE e os que antecipam o seu desaparecimento.

«Esta é a esquerda que sabe viver em democracia porque respeita a opinião de todos e todas, a esquerda que fez um caminho nem sempre fácil de consecução de compromissos, um caminho de diferentes escolhas em que todos soubemos que éramos determinantes para fazer a diferença», afirmou.

Pedro Filipe Soares declarou depois que o BE «não aceita a palavra inevitabilidade, uma das faces do medo que tentam impor à sociedade» e elogiou a sua ação para travar a «direita e o PS», que «à socapa» e «às escondidas tentaram fazer passar o fim da suspensão das subvenções» vitalícias aos políticos.

«António Costa veio dizer que não sabia de nada, ele não sabia, foram os dele lá no parlamento, Pedro Passos Coelho veio dizer que foi Luís Montenegro (…) tiveram medo do povo porque o povo se levantou», afirmou o bloquista.

«Não aceitamos que nos digam que não há dinheiro para pagar salários, que não há dinheiro para pagar pensões, que não há dinheiro para o Estado social, mas que já há dinheiro para pagar as regalias de poucos», acrescentou.

Neste contexto, e sem fazer referências diretas, o dirigente bloquista criticou «uma parte da esquerda que já está derrotada» e defendeu que o BE não pode aceitar discursos derrotistas e resignados.

«Não somos essa esquerda, não nascemos para estar no bolso de quem vai fazer mal às pessoas, somos a esquerda que combate quem nos quer fazer mal«, disse.

Para o bloquista, que se encabeça a moção «Bloco plural», o que está em causa no partido é a apresentação de um projeto mobilizador para transformar a sociedade, «contra a corrupção, contra as elites ou outros que se querem juntar às elites para perderem por poucos».

«Sabemos que temos uma maioria social connosco, foi isso que fez mudar a vontade de PS e PSD para mudar as subvenções, digam que eles se arrependeram, nós dizemos que houve uma maioria social que os obrigou a arrependerem-se», atirou.

Numa intervenção contra os que «cedem contra o medo», Pedro Filipe Soares sublinhou que os partidos «não são todos corruptos» e criticou os que «já nem prometem que o futuro vai ser melhor do que o presente».

«Já diz o poeta que o sonho comanda a vida. E a utopia comanda a esquerda, acrescento eu, não estamos cá para ceder ao medo», afirmou.

«Dizia Zeca Afonso, eles comem tudo e não deixam nada, mas dizia também que no chão do medo tombam os vencidos. Aqui estão os que não tombam porque não serão vencidos, a proposta que fazemos é que saiamos à rua, dizendo que temos uma maioria social connosco», atirou, numa intervenção que terminou com aplausos de pé de centenas de delegados.

Já João Madeira, da moção B, «Refundar o Bloco», advogou que o partido tem de «inverter o estado atual em que se encontra» e ser «um instrumento eficaz contra as políticas de miséria social».

O membro da Mesa Nacional considerou que «a linha política saída da última Convenção falhou» por assentar «no exemplo do Syriza e não conseguir ver que isso não correspondia ao estado» do país.

Na opinião de João Madeira, o BE «não pode descartar à partida seja quem for» e deve «desafiar todos, incluindo o PS», com «iniciativas concretas».

João Carlos Louçã, da moção «Reinventar o Bloco», que conta com 38 delegados, avisou que o BE deve contrariar «os adversários» que «esperam que da Convenção saia um BE divido e paralisado pelas suas diferenças».

Pela moção A, «Uma resposta de esquerda», que elegeu oito delegados, Carlos da Torre, afirmou que não existem divisões quanto aos objetivos de fundo do partido.

«Não tenho qualquer dúvida de que todos os que aqui estamos queremos o mesmo, independentemente da moção que cada um subscreveu», afirmou, acrescentando que o BE tem de ser um partido «sem supremacia de aparelhos partidários» e «limpo de ressentimentos pessoais».