«Eu não sei se o primeiro-ministro lê José Cardoso Pires, cujo livro Dinossauro Excelentíssimo fala-nos do mexilhão. É sobre um reino com um imperador astuto, diabo e ladrão e nesse reino quem se lixa é o mexilhão»

Catarina Martins aludia à declaração recente de Passos Coelho de que quem se «lixou» com a crise em Portugal não foi o mexilhão. Uma expressão que, de resto, suscitou acesa discussão no último debate quinzenal do ano, no Parlamento.

«O que Passos Coelho hoje é para o país é esse diabo, e o país é esse país governado por esse diabo ladrão, que vai roubando o que é estratégico ao país, que vai tirando os direitos ao trabalho»

A líder bloquista defendeu ainda, em Braga, onde esteve numa homenagem a Gonçalves da Silva, fundador da UDP, que os trabalhadores da TAP estão a ter a «responsabilidade» de lutar pela economia do país ao lutarem contra a privatização da companhia aérea portuguesa. Portugal «já privatizou ou a eletricidade, privatizou os correios, os aeroportos, privatizou as comunicações», lembrou, citada pela Lusa, questionado se «pode privatizar também os transportes».

«Pode um país defender a economia quando entrega tudo, quando tem uma tabuleta à porta que diz 'Vende-se a Preço de Saldo’?»

Por isso, Catarina Martins criticou a afirmação de Paulo Portas que apelidou a greve dos trabalhadores da TAP, marcada para o Natal e fim do ano, de «irresponsável» por «atentar» contra a economia. «Vamos ver se nos entendemos: os trabalhadores da TAP estão a lutar contra a privatização da TAP, estão a ter a responsabilidade de lutar pela economia do país, de lutar pela sobrevivência do país"» defendeu.

«A responsabilidade da defesa do país não está em quem diz que os trabalhadores da TAP são irresponsáveis, pelo contrário. Está, como sempre esteve, na luta dos trabalhadores que não se resignam a um pais sem futuro e que lutam para que a TAP seja uma empesa pública», terminou.