A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considera um “insulto à inteligência” dos portugueses as declarações do Presidente da República, que afirmou sentir-se “mais aliviado” com o processo de privatização da TAP.

“Dizer que se sente aliviado se a TAP for vendida por 10 milhões de euros, [no] mesmo país que comprou submarinos por mil milhões de euros, é um insulto à inteligência de toda a gente que vive neste país”.


A bloquista foi mais longe, afirmando que Cavaco Silva parece "ter-se esquecido do cargo que ocupa" para "fazer propaganda para a coligação PSD/CDS".

“É muito difícil comentar as declarações do Presidente da República porque ultimamente o Presidente da República parece ter-se esquecido do cargo que ocupa e limita-se a fazer propaganda para a coligação PSD/CDS.”



A dirigente do Bloco de Esquerda, que falou aos jornalistas durante uma ação em frente à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia pela reposição das “35 horas de trabalho semanal para todos", realçou que “a responsabilidade da ligação do país ao resto do mundo não é de um empresário americano ou brasileiro", mas "uma responsabilidade coletiva", que "só pode ser assumida pelo Estado”.

“A ideia de que vem um mecenas de outro sítio qualquer investir o seu dinheiro para que o nosso país tenha aquilo de que precisa é um conto de crianças. Um país precisa de uma companhia aérea, um país pequeno com dois arquipélagos, regiões autónomas, comunidades espalhadas por todo o mundo, precisa de assumir a responsabilidade de ter uma companhia aérea, essa responsabilidade só pode ser assumida pelo Estado.”


O Presidente da República disse, na noite de domingo, estar "mais aliviado" relativamente à privatização da TAP, considerando que tudo aponta para que a transportadora aérea possa permanecer autónoma, com uma base de operações em Portugal e satisfazendo o serviço público.

Em conversa informal com os jornalistas a bordo do avião que o transportou para Sófia, onde inicia uma visita de Estado à Bulgária, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, foi questionado sobre a privatização da transportadora aérea tendo confessado estar um pouco "mais aliviado".

O consórcio Gateway, que integra o empresário norte-americano David Neeleman (49%) e o empresário português Humberto Pedrosa (51%), propõe-se a pagar um valor mínimo de 354 milhões de euros pelo grupo, mas este montante pode subir para 488 milhões de euros, dependendo da 'performance' financeira da empresa ao longo de 2015.

O consórcio compromete-se a capitalizar a empresa com 338 milhões de euros e a pagar 10 milhões de euros ao Estado, dos quais dois milhões serão já pagos na assinatura do contrato de compra e venda, que deverá acontecer ainda em junho, e o restante no fecho da venda.

Depois, se exercer a opção de compra, dos 34% que ficam na mão do Estado, receberá entre seis e 50 milhões de euros, em função dos resultados da empresa em 2015.

Se houver uma dispersão do capital em bolsa até quatro anos após a conclusão da venda, como o agrupamento Gateway admite vir a fazer, o Estado arrecada mais 90 milhões de euros.