As negociações fazem-se à mesa e nem Bloco de Esquerda nem Partido Comunista Português adiantaram esta sexta-feira muito sobre o que está a ser discutido, em concreto, com o PS: se um programa para quatro anos, se a viabilização do Orçamento do Estado para 2016, se medida a medida. As únicas coisas que ficaram claras, à saída da reunião que os dois partidos políticos mais à esquerda tiveram hoje, são que Catarina Martins se mostra "muito confiante" nas negociações com o PS mas, por outro lado, Jerónimo de Sousa refreia os ânimos. 

"É um caminho que não é fácil tendo em conta que partimos de programas e pressupostos muito diferentes e tendo em conta a distância que o programa do PS está de uma efetiva rutura com política de direita"


Ainda assim, os comunistas não pouparão" esforços para discutir todos os elementos e opções de política que correspondam a soluções para reais problemas dos trabalhadores e do povo", afirmou o secretário-geral.  "O PCP está genuinamente empenhado no diálogo e na concretização de políticas".

Jerónimo de Sousa reafirmou que o seu partido apresentará uma moção de rejeição a um governo PSD/CDS-PP. Com o PS, mesmo que a convergência não seja possível, "o que de facto não é fácil", voltou a sublinhar, "o quadro constitucional e a correlação de forças na AR, em nada impedem" os socialistas de formar Governo e de apresentar o seu programa e entrar em funções.

O PCP estará ao lado do PS desde que assegure os direitos e os interesses dos trabalhadores. Se não o fizer, Jerónimo avisa: "Contará com a oposição do PCP". 

As negociações vão apenas e só na discussão de políticas. "É a fase em que estamos e não outra. Não há nada fechado, há diferenças naturais tendo em conta questões programáticas, mas da nossa parte não desistimos de procurar soluções conjuntas". Os comunistas estão a pensar "mais na estabilidade da vida dos portugueses do que na estabilidade governativa", disse ainda. 

Para que um governo de esquerda venha a ser possível, tem de ser com PS, PCP e BE. Se Jerónimo de Sousa não mostra grande entusiasmo, embora esteja empenhado, já Catarina Martins está visivelmente mais otimista.:

"O PS mostrou vontade de responder a três condições essenciais que fizemos e que são aquelas que a nosso ver permitem políiticas estáveis ao país", leia-se pensões, proteção do emprego e salários.


A porta-voz do Bloco advoga que o pressuposto das negociações são as garantias de estabilidade concretas da vida das pessoas e que se elas forem respeitadas, o BE "nunca faltará". O debate com o PS tem sido "muito aberto e muito franco" e há "possiblidades de convergência".

"Querendo ir mais longe para que haja estabilidade, também somos bastante claros sobre as balizas do BE. Estamos do lado da estabilidade. Estaremos na oposição de um Governo que retire os rendimentos ao trabalho e às pensões ou que ataque o emprego em Portugal", advertiu ainda. 

Nem BE nem PCP se descoseram sobre o que está em causa nas negociações. Tentaram fugir às perguntas sobre se em cima da mesa está um governo para quatro anos, mostrando-se cautelosos. 


Um dos "cimentos" das negociações para o Bloco


O BE "colocou uma série de questões" ao PS sobre a sustentabilidade da segurança social, pensões e proteção do emprego. "Um processo necessariamente complexo, mas bem encaminhado para ponto de encontro para solidez suficiente para ter toda a estabilidade que o país precisa. O que não posso fazer é num momento em que processo está em curso estar a dizer que me comprometo com documentos que ainda não existem". 

Sobre se há sintonia quanto à reposição dos salários da função pública, o fim da sobretaxa, a reposição das pensões gradualmente ou toda de uma vez, Catarina Martins assinalou que "não é novidade para ninguém" que tanto PS, como PCP e BE recorreram ao Tribunal Constitucional or considerarem inconstitucionais os cortes de salários.

"Naturalmente, para nos, um dos cimentos desta possibilidade de um governo diferente é por estarmos perante três partidos que nestes quatro anos defenderam a Constituição contra direita que fez tudo para a atacar. Essas discussões naturalmente no centro das nossas conversas"


Sem se comprometer com prazos, a dirigente do Bloco também considera que "este é o momento para se começarem a concretizar compromissos", esperando que isso possa acontecer rapidamente, "para que as pessoas saibam com o que contam". 


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