E o PCP?


Fazer contas
 

Na prática, o que pode então acontecer para haver uma maioria de esquerda no Conselho de Estado? É fazer as contas: em vez de três lugares, o PS pode vir a ter apenas um, outro para BE e outro para PCP. 

É preciso ter em linha de consideração que estamos a falar, apenas, dos lugares vindos da AR, já que, para além desses, há três outros socialistas que já integram o órgão: Ferro Rodrigues (presidente da AR), António Costa (primeiro-ministro) e Vasco Cordeiro (presidente do Governo regional dos Açores).
 
À direita, para os outros dois assentos, não é de descartar que sejam os próprios líderes do PSD e do CDS, Passos Coelho e Paulo Portas, a serem os escolhidos.
 
O Conselho de Estado é um órgão consultivo (não vinculativo) do Presidente da República. Para além dos três nomes socialistas citados, fazem atualmente parte do Conselho de Estado, para além do próprio Presidente da República, Cavaco Silva, o presidente do Tribunal Constitucional, Sousa Ribeiro, Marcelo Rebelo de Sousa (que é candidato presidencial), Leonor Beleza (presidente da Fundação Champalimaud), Vítor Bento (presidente da SIBS), João Lobo Antunes (médico), Bagão Félix (economista), Ramalho Eanes (ex-presidente da República), Jorge Sampaio (ex-PR), Mário Soares (ex-PR).

Os atuais cinco lugares vindos da AR - que não tem obrigatoriedade de indicar deputados, mas sim cidadãos - são ocupados por ​ Pinto Balsemão, Luís Filipe Menezes e Marques Mendes (os três indicados por PSD/CDS-PP), Manuel Alegre e Alfredo Bruto da Costa (indicados por PS). 

Cavaco Silva convocou o Conselho de Estado apenas 12 vezes em 10 anos. Esta aparente disputa por cadeiras confere-lhe maior destaque, nesta reta final do mandato do atual chefe de Estado, social-democrata, que já não se pode candidatar. Estamos a mês e meio das eleições presidenciais.