A porta-voz nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou este sábado que a privatização da TAP «põe em causa o país durante décadas» e exige que o Governo pare o processo.

«Este é um Governo desesperado, que está a tentar levar a cabo, no final de mandato, uma operação que põe em causa o país durante décadas», disse Catarina Martins aos jornalistas, na Guarda, à margem da sessão de encerramento de um encontro sobre o interior do país.

A porta-voz nacional do BE apelou ao Governo liderado por Pedro Passos Coelho que «pare a privatização da TAP».

«O Governo quer privatizar tudo o que pode, antes de sair, antes das eleições, e está a ter uma contestação, que é uma contestação justa, de quem não desiste do país e de quem quer continuar a proteger os setores estratégicos do país», disse.

Para Catarina Martins, privatizar a TAP, «a maior empresa exportadora do país, a companhia de bandeira, numa altura em que já foi privatizada a energia, os aeroportos, os correios, é retirar ao país uma capacidade estratégica que ninguém compreende que possa acontecer».

Para mais, acrescentou, «o Governo está a querer privatizar, num processo conturbado, em poucos meses, já uma vez o processo teve de voltar para trás, o que exige a sensatez a que o Governo pare a privatização da TAP e as ameaças do senhor primeiro-ministro não são mais do que sinais de desespero do Governo e da sua falta completa de norte neste processo».

A dirigente do BE sustentou ainda que a «ameaça» do primeiro-ministro «sobre os trabalhadores da TAP é uma ameaça inaceitável que mostra um Governo desesperado e sem norte, que quer privatizar a todo o custo e m final de mandato».

«O Governo tem de ser parado porque claramente não lhe resta nenhum vestígio de sensatez», afirmou.


Para Catarina Martins, «privatizar a TAP ou as águas em final de mandato é até um processo que carece de legitimidade democrática».

Já no discurso de encerramento do «Encontro do Interior - não desistimos de viver aqui!», a porta-voz do BE disse que no país «basta de cortes» e que «está na hora de se investir».

«Está na hora de pensar do ponto de vista estratégico os setores que podem criar emprego e riqueza no país, que o podem fazer em todo o território e apostar neles através de investimento», sustentou.


Lembrou que o Governo anunciou, em 2013, a criação do Banco de Fomento, para permitir investimento a pequenas e médias empresas.

«Em 2014 o Banco de Fomento passou a ter um conselho de administração, com salários pagos, e nós estamos em 2015 e o Banco de Fomento investiu zero até agora. Se é possível fazer diferente, é. Era possível ter já o Fomento a funcionar, desde logo através da Caixa Geral de Depósitos, que é um banco público», disse.


Os participantes no encontro do BE realizado na Guarda defenderam a importância da regionalização e do ensino superior para as regiões desfavorecidas.

Consideraram ainda relevante a valorização do património e da educação, a par da manutenção dos serviços públicos.