A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou esta quinta-feira o Governo de avançar com a privatização da TAP no «pior tempo» e com a «pior desculpa» possível.

«Nenhuma privatização aconteceu em tão pior tempo e com tão pior desculpa. Em tão pior tempo, porque num momento em que o país está a viver a desgraça da PT, a desgraça de deixar que o interesse acionista mandasse e que o interesse público não valesse nada», sustentou.

Catarina Martins falava na sessão «Orçamento do Estado para 2015 - Emigração e Futuro», que esta noite decorreu no Porto, e, numa altura em que abordava o tema do investimento estatal, considerou que «este é o Governo que já privatizou quase tudo o que havia para privatizar».

«O Estado já não tem capacidade de responder aos seus interesses estratégicos em quase área nenhuma. E agora querem privatizar o pouco que falta», disse, apontando os casos da EMEF da CP Carga e da TAP.

Catarina Martins apelidou de «asneira» o que está a acontecer com a PT e de «desculpa esfarrapada» o argumento utilizado pelo executivo para o avançar com o processo privatização da TAP.

Já numa espécie de resumo da sua intervenção que passou por temas como cortes nos salários, impostos, índice de desemprego e as investigações no âmbito dos vistos gold, a dirigente bloquista defendeu que «a PT deve ser nacionalizada» e a «TAP não pode ser privatizada».

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a reabertura do processo de privatização da TAP, pela alienação das ações representativas de até 66% do capital social da TAP SGPS.

O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse acreditar que este processo poderá estar concluído no final do primeiro trimestre de 2015 ou no início do segundo trimestre.