O Bloco de Esquerda considerou este domingo que a vitória logo à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais visa a "recomposição do Bloco Central" e apontou a "ambiguidade" do PS como causa deste resultado.

Estas foram algumas das principais linhas da análise feita pela Mesa Nacional do Bloco de Esquerda aos resultados das eleições presidenciais do passado domingo - um ato eleitoral que, por outro lado, também levou os "bloquistas" a congratularem-se por a sua candidata, Marisa Matias, ter ficado em terceiro lugar, com 10,1% dos votos.

Se a candidatura de Marisa Matias cumpriu todos os objetivos políticos e estratégicos a que se propôs, o Bloco de Esquerda fez uma análise completamente oposta em relação aos candidatos da área do PS, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, assim como à atuação do PS.

"Este resultado deve-se em grande medida à ambiguidade do PS. Ao não apresentar candidato próprio, nem apoiando nenhuma candidatura, o PS não foi capaz de mobilizar o seu eleitorado", sustentou o Bloco de Esquerda.

Já em relação à candidatura de Edgar Silva, apoiada pelo PCP, que se ficou pelos 3,9% dos votos, a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda fez a seguinte leitura: "A campanha do candidato do PCP, Edgar Silva, posicionou-se sem ambiguidades do lado da defesa do Estado Social e dos direitos dos trabalhadores e contribuiu para uma mobilização importante, ainda que insuficiente, do eleitorado à esquerda".

Para o Bloco de Esquerda, o Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, fez uma campanha vazia de conteúdos "e evitou o confronto com o novo Governo".

"Mas esta vitória [de Marcelo Rebelo de Sousa] representa um dos projetos da direita em Portugal, o da recomposição do Bloco Central [PSD/PS]", advertiram os bloquistas.