A porta-voz do BE acusou este domingo o primeiro ministro de «propaganda» e de não ter feito outra coisa senão «cortar os custos do trabalho», e criticou o PS por defender o fim da austeridade sem desobediência à Alemanha.

«António Costa [secretário geral do PS] tem um problema de definição. Não se pode dizer, ao mesmo tempo, que não se quer austeridade mas que não se está disposto na Europa a defender o país e a ter uma posição que possa ser de confronto com quem tem imposto austeridade no país. O que Costa diz é algo como ‘queremos o fim da austeridade mas só faremos o que Alemanha quiser e nunca deixaremos de dizer que sim às imposições que da Alemanha», alertou Catarina Martins.


À margem de uma arruada contra a austeridade realizada em Espinho, distrito de Aveiro, a bloquista frisou que «o primeiro-ministro tem tentado fazer números sucessivos de propaganda sobre o pais», nomeadamente ao dizer que «é preciso diminuir fiscalidade das empresas e os custos do trabalho», quando não fez «outra coisa desde que está no Governo».

«Em relação aos custos do trabalho, não fizeram outra coisa desde que estão no Governo. Neste momento, os custos do trabalho de Portugal são muito menos de metade do que a Espanha», destacou a porta-voz do BE.


Catarina Martins lembrou ainda que o atual Governo, liderado pelo social-democrata Pedro Passos Coelho, «já desceu duas vezes os impostos sobre os lucros das grandes empresas e com isso não atraiu nenhum investimento, não criou um posto de trabalho».

«Para compensar as borlas que deu ao capital, aumentou em 30% o IRS», criticou.


Catarina Martins justificou desta forma a acusação de que «o primeiro-ministro tem tentado fazer números sucessivos de propaganda sobre o país», dizendo, por exemplo, «que a sua estratégia funcionou e quer a mesma estratégia para todo o sempre».

A par disso, acrescenta a porta-voz do BE, Passos Coelho tem «inventado medidas populistas que não respondem às necessidades das pessoas», fala «de índices de confiança» e «ataca o Instituto Nacional de Estatística quando este diz algo tão real como que o desemprego está a crescer e o desemprego jovem está em valores estratosféricos no país».

Quanto ao «problema de indefinição» do secretário-geral do PS, Catarina Martins defende que «para sair da austeridade e para poder haver investimento, crescimento ou emprego, é preciso ter a coragem de defender o país de cabeça erguida e de ir à luta, também na Europa».

«É preciso dizer que não aceitamos o empobrecimento do país, que queremos dignidade. Dizer que não somos nenhuma colonia alemã, que não vamos fazer o que nos digam, mas que vamos, sim, fazer o que for preciso para que o país saia da crise», acrescentou.