O Bloco de Esquerda criticou aquilo que apelidou de um «perdão fiscal indecente» presente no código do IRC, que protege a tributação de uma série de empresas.

«Falamos de centenas de milhões de euros que deixarão de ser tributados porque o novo código fiscal isenta para sempre estas empresas desta tributação», acusou o coordenador do BE João Semedo.

O bloquista falava em conferência de imprensa no parlamento após o debate quinzenal com o primeiro-ministro, onde já na altura se referiu a um artigo na nova proposta sobre o imposto que, diz, «protege a tributação de uma série de grandes empresas» com a «isenção definitiva sobre algumas empresas envolvidas em processo de fusão, cisão, compra ou venda de partes sociais e que reinvestiram esses ganhos, tinham um benefício fiscal de ver suspensa ou adiada a sua tributação até estar concluído o processo de investimento».

«Num momento em que o Governo vê à lupa tudo aquilo que pode cortar nos salários, nas reformas, nas pensões», acusa Semedo, esse mesmo executivo tem «mãos largas com os grupos económicos e financeiros».

O coordenador e também deputado incentiva agora PSD e CDS-PP a chumbarem a alínea, a número 3 do artigo 6 da proposta de lei de reforma do IRC.

BES, Cofina, Sonae e Semana são algumas das empresas referidas pelo BE como beneficiadoras do perdão fiscal.

No debate quinzenal, Pedro Passos Coelho lembrou que a revisão do imposto seguiu para o parlamento e haverá debate na generalidade sobre a matéria na quinta-feira, seguindo depois a proposta para sede de comissão onde poderá ser trabalhada.

O primeiro-ministro sublinhou contudo que esta é uma «reforma que se pretende duradoura» e onde se exige o maior consenso possível entre partidos e sociedade.