Catarina Martins, que culminou uma tarde de campanha no distrito de Santarém com um jantar em Salvaterra de Magos, disse à centena de meia de pessoas que a foram ouvir que o debate que colocou frente a frente o atual primeiro-ministro e líder da coligação Portugal à Frente e o secretário-geral do PS teve “a grande vantagem” de mostrar “qual é a estratégia da direita” na campanha para as eleições legislativas de 4 de outubro.

A dirigente bloquista referiu o facto de Pedro Passos Coelho ter usado “várias vezes” a palavra “mistificação”, acusando a coligação de “tentar rescrever tudo” o que fez no poder.

“Pedro Passos Coelho trouxe até uma novidade ao debate, um novo mito urbano, disse que não tem nada a ver com a ‘troika’, que reuniu ligeiramente uma horita, com a ‘troika’ e portanto não tem nada a ver com o que aconteceu. Isto, se as eleições continuarem, daqui a um mês Passos Coelho ainda diz que foi ele que foi ao Tribunal Constitucional para travar os cortes nos salários e nas pensões. A rescrita do passado não pode enganar quem vive neste país.”

Para Catarina Martins, foi “sintomático que um debate entre António Costa e Passos Coelho tenha sido sobretudo sobre o passado e muito pouco sobre o futuro”.

Dirigindo a crítica ao líder socialista, a dirigente do BE lamentou que António Costa peça confiança aos portugueses “porque vai mudar”, mas não tenha “coragem” de “dizer o que é que realmente vai mudar” para merecer essa confiança.

Para Catarina Martins, é também “muito pouco” a afirmação de Costa de que “talvez haja uma austeridade de conta-gotas, com uma ligeira reposição da sobretaxa de forma faseada e quiçá ligeiramente diferente da da direita”.

“Para haver confiança é preciso dizer ao que se vem e para se prometer que se vai mudar é preciso dizer o que é que se vai mudar. Prometer que vai ficar diferente fazendo tudo na mesma o que foi feito até agora é um cheque em branco que ninguém neste país se pode dar ao luxo de dar depois de tantos anos de crise e depois de uma alternância que mentiu tantas vezes e que tantas vezes desacreditou a confiança que foi entregue por cada pessoa que votou”, declarou.

A intervenção de Catarina Martins aconteceu no único concelho do país em que o BE liderou uma autarquia, tendo a porta-voz do partido saudado a presença no jantar da ex-presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Ana Cristina Ribeiro, e dos vários autarcas que, perdido o município nas eleições de 2013, foram eleitos para vários órgãos autárquicos.

A dirigente bloquista assegurou que o seu partido recusa o discurso do “medo do papão” propalado pela direita e que prefere “encarar de frente os problemas”, citando os números que no seu entender marcaram os quatro anos do Governo PSD/CDS-PP, como o aumento da dívida pública em 1,5 milhões de euros a cada hora que passou, a destruição de 200 postos de trabalho em cada dia, a saída do país de 10.000 pessoas em cada mês, para afirmar a determinação do BE em “resgatar aqui” as condições de vida, emprego e salário que permitam ao país ter futuro.