A líder do BE acusou Passos Coelho de andar "desorientado" e garantiu que o bloco "não anda à procura" de crises e que sabe que a austeridade não acabou mas que o acordo governamental permitiu parar o empobrecimento.

Em Barcelos, esta tarde, à margem de uma visita a um bairro social, Catarina Martins comentou assim as declarações do presidente do PSD que, segundo um relato da intervenção deste perante o Conselho Nacional do partido noticiado pelo Diário de Notícias, terá dito que o Governo anda a "rebentar" com a banca para agradar ao Bloco e depois culpar o executivo anterior.

Catarina Martins reafirmou ainda que o Bloco "não subscreve exatamente" as posições socialistas sobre a banca, como foi o caso da resolução do Banif e é o da venda do Novo Banco, mas que apoia o Governo no "confronto" com a Comissão Europeia quanto à recapitalização com dinheiro público da Caixa Geral de Depósitos.

O Dr. Passos Coelho tem andado um pouco desorientado e só dessa forma se podem perceber estas declarações", respondeu, quando confrontada com as declarações de Passos Coelho, segundo um relato da intervenção deste perante o Conselho Nacional do partido noticiado pelo Diário de Notícias.

Isto porque, explicou, "toda a gente sabe que o BE não subscreve exatamente as posições do PS sobre a banca".

Aliás, a única vez que tivemos um orçamento retificativo por questões da banca, do Banif, uma herança pesada, foi graças ao PSD que passou e não ao BE", explanou.

Questionada ainda sobre outra afirmação do líder do PSD, que disse ser "mentira" que a austeridade acabou e previu uma "nova crise", Catarina Martins garantiu que o Bloco "não anda à procura" de crises".

Posso dizer que o BE não anda à procura de crises, também que sabe que a austeridade não acabou. O acordo que nós fizemos permitiu parar o empobrecimento, parámos o empobrecimento com o aumento do salário mínimo, o fim da sobretaxa para 90% dos contribuintes, reforço das prestações sociais com medidas como a renda apoiada mas a austeridade precisa de mais para acabar", referiu.

Segundo a líder bloquista, a austeridade precisa "de uma reestruturação da dívida para acabar, que provoque investimento e crie emprego", algo pelo qual, garantiu, "o Bloco de Esquerda continua a lutar" mas "a relação de forças não o tem permitido".

Ainda sobre questões da banca, a coordenadora do Bloco garantiu apoio ao Governo de António Costa na luta pela recapitalização da Caixa Geral de Depósitos contra a Comissão Europeia, que acusa de estar a criar "indefinição" naquela questão.

"Não há nenhuma indefinição em torno da Caixa Geral de Depósitos senão a que resulta da pressão da Comissão Europeia para que a capitalização pública não aconteça. Desse ponto de vista o bloco apoia o governo no confronto que é preciso ter com a Comissão Europeia para que o nosso país tenha direito a um banco público", afirmou.