O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, acusou esta terça-feira o primeiro-ministro e o Governo de «joguinhos eleitorais» em torno do Salário Mínimo Nacional (SMN) e alertou que, «por este andar», o mesmo será atualizado na véspera das eleições.

«Por este andar o SMN será atualizado na véspera das eleições. E isso nós não aceitaremos porque, em nome da dignidade é urgente aumentar o SMN», vincou João Semedo no Porto, depois de uma reunião sobre o assunto com o coordenador do Sindicato dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuário.

Semedo criticou o primeiro-ministro e o Governo pelo «joguinho eleitoral de ir prometendo e sucessivamente adiando o problema da atualização do SMN» e defendeu ser «altura de tomar a decisão».

De acordo com o coordenador do BE, foi por esse motivo que o partido agendou para quinta-feira, no plenário da Assembleia da República a votação de uma proposta de aumento imediato do SMN para 545 euros, e progressivo para os 600 euros até 2016.

«Há muitos meses que o primeiro-ministro tem falado na atualização. É altura de tomar a decisão. É por essa razão que BE leva [a questão] a voto no Parlamento. Para que aqueles que querem convictamente atualizar o SMN o possam fazer», defendeu Semedo.

De acordo com o coordenador, o BE não aceita que «o primeiro- ministro e o Governo continuem neste joguinho eleitoral de ir prometendo e sucessivamente adiando» a questão.

«Não estamos dispostos a continuar a assistir a este diz que diz», afirmou.

Para Semedo, «a atualização do SMN tem de estar para além deste joguinhos eleitorais», não podendo estar «refém» dos mesmos.

O coordenador alertou que SMN não é atualizado em Portugal «há quatro anos e é o mais baixo dos países da zona Euro».

O primeiro-ministro afirmou no domingo que espera tomar a «muito breve prazo» uma decisão sobre o aumento do SMN, mas defendeu a necessidade de um «consenso» quanto à sua atualização, que deve estar ligada ao crescimento da produtividade.

«Creio que os parceiros sociais, de um modo geral, têm dado um contexto construtivo para esse diálogo e nós esperamos a muito breve prazo poder tomar uma decisão nessa matéria, na certeza de que teremos de encontrar aqui um consenso quanto ao que devem ser atualizações futuras do valor do salário mínimo nacional que tem que estar relacionado com o crescimento da produtividade no país», disse.

Para Pedro Passos Coelho, as atualizações não devem estar relacionadas «com outros aspetos que, por mais justos» que possam parecer à primeira vista, «sejam totalmente irrealistas e ponham em causa o crescimento do emprego e a sustentabilidade das empresas».

Sem isso, vincou, «não haverá salários nenhuns que possam ser assegurados na economia».

Notando que atualmente existem condições que não havia «nestes últimos três anos para poder fazer uma revisão do salário mínimo nacional», o chefe do Governo reiterou que essa revisão tem de ser feita «de forma a não pôr em perigo a sustentabilidade das empresas e, portanto, não gerar desemprego para o futuro».