A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou a coligação de manipular e atrasar o início ano letivo para fins eleitorais, escondendo os problemas da escola pública, condenando "um claro favorecimento do ensino privado feito por este Governo".

Na sequência do que tem feito nos últimos dias de pré-campanha, o BE voltou hoje a visitar o que considera serem os "bons exemplos" e escolheu a Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, tendo Catarina Martins afirmado que "a escola pública é sem dúvida do melhor que a democracia construiu", mas criticando o facto de à data de hoje ainda não haver aulas a decorrer em Portugal.

"Houve uma manipulação de PSD e CDS sobre o início ano letivo para fins eleitorais e com prejuízo de todas as famílias, dos milhões de alunos, que não estão a ter acesso às aulas", disse.


Na opinião da porta-voz do BE, o facto de o Governo "ter atrasado o ano letivo foi uma forma de esconder os problemas da escola pública", denunciando ainda "um claro favorecimento do ensino privado feito por este Governo".

"Nunca tinha o ano letivo começado tão tarde desde que Portugal entrou na União Europeia. A escola pública está a começar o ano letivo duas semanas depois das escolas privadas, no mesmo ano em que o Governo decidiu abrir 600 novas turmas das escolas privadas pagas com dinheiro público", evidenciou.

Um dos favorecimentos que Catarina Martins condena tem a ver com a questão fiscal uma vez que "as famílias que têm as crianças na escola privada podem deduzir todas as despesas com a educação no IRS e quem tem as crianças na escola pública fica com as despesas, para lá dos manuais, impossibilitadas de terem essas mesmas deduções para IRS".

"Nós sabemos como as famílias tiveram que pagar manuais escolares tão caros este ano. O Governo fez um protocolo com as editoras que lhes permitiu aumentar os preços dos manuais em 10% e alterou as metas curriculares não deixando que os livros de uns filhos sirvam para os seus irmãos", criticou.

A também coordenadora do BE realçou que a "escola pública é o melhor que tem a democracia" e que o que "este Governo tem feito à escola pública é imperdoável".

A comitiva bloquista - que integrava ainda os candidatos a deputados Mariana Mortágua e Pedro Filipe Soares - foi recebida pelo diretor adjunto da escola, José Orlando Lopes, que explicou que hoje os novos alunos foram recebidos de manhã e à tarde os do 11.º e ao 12.º anos.

"Este ano o calendário foi empurrado para uma semana mais tarde e nós cumprimos tal como a maioria das escolas", disse, perante as perguntas de Catarina Martins.

Numa escola com cerca de 1200 alunos há um curso técnico de apoio à gestão desportiva que em termos de "colocação de alunos em empregos tem tido muito sucesso, havendo grandes listas de espera todos os anos", respondeu o responsável escolar.