Foi esta quarta-feira aprovado por unanimidade, na Comissão Parlamentar de Saúde, o requerimento do Bloco de Esquerda para ouvir os chefes de serviço demissionários do Centro Hospitalar Lisboa Central, assim como do seu Conselho de Administração, com caracter de urgência.

Os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) apresentaram na passada sexta-feira a sua demissão à Administração por considerarem que as Urgências do Hospital São José não têm níveis de segurança aceitáveis.

"Os responsáveis que se encontram demissionários serão contactados pelos serviços do Parlamento por forma a sua audição ter lugar com a máxima urgência possível", diz a nota divulgada pelo Bloco de Esquerda.

Foi ainda aprovado um requerimento oral no sentido de serem os deputados da comissão parlamentar a visitarem o hospital e ai ouvirem os chefes de equipa e não estes a deslocarem-se à Assembleia da República.

O BE recorda que se trata de um hospital central, que presta dos cuidados mais diferenciados do país, com serviço de urgência polivalente, e para o qual são encaminhados doentes de vários outros hospitais, principalmente os casos mais complicados.

"As denúncias feitas pelos chefes de equipa demissionários são, por isso, particularmente graves e devem ser escalpelizadas, nomeadamente pelo parlamento", salienta.

A agência Lusa teve acesso à carta que contém o pedido de demissão destes chefes de equipa do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra o São José, tendo o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos confirmado que o documento foi entregue à administração.

Na carta, os profissionais apontam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no serviço de urgência do Hospital São José, considerando que se chegou a uma "situação de emergência" que impõe "um plano de catástrofe".

No requerimento do BE, assinado por Moisés Ferreira, é referido que os demissionários apontam falta de profissionais em medicina interna, cirurgia geral e noutras especialidades, referem que, muitas vezes, é o interno dos últimos anos o profissional mais diferenciado no momento e falam da falta de contratação de médicos mais jovens e da saída precoce de muitos especialistas.

O BE refere ainda que a administração do Centro Hospitalar Lisboa Central já disse publicamente "reconhecer o essencial das queixas", mas, para aquele partido, "reconhecer a situação não basta", e defende que os responsáveis prestem declarações na Assembleia da República, não só para reconhecer os problemas, mas para explicar as causas e as razões para a ausência de soluções.