Mariana tem 17 anos e está no segundo ano do curso profissional de turismo, na Escola de Hotelaria de Fátima. Acredita que hoje em dia já não vale a pena ir para a universidade para se ter emprego, dado o número de jovens qualificados que estão no desemprego. Tem receio do que a espera quando chegar ao mercado de trabalho. E talvez tenha sido por isso que questionou Catarina Martins sobre o desemprego. Num auditório da escola, cheio de alunos, a maioria sem idade para ir votar na próxima legislatura, Catarina Martins respondeu aos problemas destes jovens e esclareceu os motivos que levam o Bloco a defender o direito de voto aos 16 anos.

"O partido que está a frente do país diz que o desemprego está a descer, mas para mim isso é mentira", afirmou Mariana à porta-voz do Bloco de Esquerda, A dirigente bloquista não só concordou como vincou os dados que não fazem parte das estatísticas e que têm contribuído para a descida da taxa de demprego.  

"O que está a acontecer com a taxa de desemprego deve-se ao facto de haver menos população ativa."


Catarina Martins frisou o aumento do número de emigrantes, do número de pessoas que estão a fazer formações ao abrigo do IEFP e do número de pessoas que estão com um contrato-emprego-inserção para dizer que há mais cidadãos que deixaram de contar para as estatísticas, nos útlimos quatro anos: "São cerca de 600 mil pessoas que saíram das estatísticas".

O Bloco de Esquerda arrancou a segunda semana de campanha eleitoral com uma visita à Escola de Hotelaria de Fátima. Aqui, esteve em contato com dezenas de jovens que falaram sobre os seus problemas, as suas preocupações e até sobre assuntos de atualidade que queriam perceber melhor. O desemprego, as pensões, os salários, os refugiados e o ambiente foram alguns dos temas abordados.

Margarida Parra, de 16 anos, questionou a dirigente bloquista sobre o tema dos refugiados: quis saber por que razão há dinheiro para ajudar os refugiados e não para ajudar os que estão em Portugal, desempregados. A líder do Bloco esclareceu que as verbas de ajuda aos refugiados têm origem em fundos europeus. Fundos que também existem para combater o desemprego, mas que "o Governo não usou", acrescentou.

"Há fundos europeus para os desempregados, mas o nosso Governo não recorreu a esses fundos", disse Catarina Martins.


Por outro lado, João, de 18 anos, tinha curiosidade em saber mais sobre a proposta de legalização da cannabis que o partido defende. O  jovem disse que "viu a notícia", mas que a queria entender melhor. Catarina Martins explicou então que a medida pretende "proteger a saúde" dos consumidores, "promover a prevenção" e acabar com as "redes criminosas" ligadas ao tráfico de droma. 

O Bloco ouviu, respondeu e explicou. Já no final da sessão, Catarina Martins afirmou que as perguntas colocadas mostram como os jovens "estão a olhar para o futuro" de forma "determinante".

"É bom ouvir os jovens, ver como as perguntas que colocam são determinantes para o futuro. sejam elas sobre o emprego, o salário, seja sobre a precoupação que têm com as pensões dos seus pais e dos seus avós, sejam as preocupações ambientais como também ouvimos. Quem tem 16 anos está a olhar para o futuro. Precisamos de os ouvir."


É por isso que o Bloco defende o direito de voto aos 16 anos. O partido sublinhou, durante esta ação de campanha, que aos 16 anos já se assume várias responsabilidades: pode-se "começar a trabalhar", a "pagar impostos" e a responder criminalmente, por exemplo. Neste sentido, "quem pode assumir tantas responsabilidades tem de poder escolher e tem de poder votar."

"Aos 16 anos as pessoas pdoem começar a trabalhar podem começar a pagar impostos, Se cometerem um crime são presas e podem até ser mobilizadas para a tropa. Quem pode assumir tantas responsabilidades tem de poder escolher, tem de poder votar e é por isso que o Bloco de Esquerda tem defendido o voto aos 16 anos", defendeu Catarina Martins.


Esta sessão com os alunos aconteceu depois de uma visita às instalaçaões da escola, esta manhã. A caravana bloquista, liderada por Catarina Martins e pelo cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Santarém, Carlos Matias, percorreu várias salas de aula, sob os olhares curiosos dos alunos.

A escola, com 320 alunos, é procurada e reconhecida, mas tem limitações. O diretor do estabelecimento de ensino, Francisco Vieira, explicou a Catarina Martins que o edifício tem mais de 70 anos e as limitações obrigam a que, por ano e em média, 100 alunos não possam entrar na escola. A ideia de uma nova escola já começou a ganhar forma: o terreno já foi comprado e o projeto está a ser terminado. So há um senão: o investimento, avaliado em cerca de 10 milhões de euros. 

"Temos muitos alunos a procurarem-no, o que é um sinal de que há qualidade.  Temos estas limitações do edficio, que tem 70 anos, e que nos obrigou a procurar uma nova solução. [...] Não vamos fazer a escola porque temos dinheiro para a fazer, mas porque precisamos dela. A escola está compeltamente esgotada. Em média têm ficado 100 alunos de fora, todos anos, que gostariam de estudar aqui."


O sonho continua vivo, no entanto. E nem que sejam precisos "20 ou 30 anos", o diretor acredita que se vai concretizar.