O coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa, António Chora, vai ser o mandatário nacional do BE na campanha para as eleições legislativas, anunciou o deputado bloquista José Soeiro no encerramento do fórum Socialismo 2015.

"António Chora não é apenas um exemplo para todos os que em Portugal lutam pelo trabalho, mas é também com imenso orgulho o mandatário nacional do BE", revelou José Soeiro, antes de dar a palavra ao coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa.

António Chora explicou que aceitou o convite porque no BE "se discute política e alternativas de esquerda realizáveis e coerentes", "numa altura em que o ilusionismo político é a arma do radicalismo da direita que nos governa".
 

"Os radicais de direita do PSD e CDS foram, segundo declarações dos mesmos, mais longe do que a troika nos ataques aos trabalhadores, nomeadamente na redução por decreto do valor do trabalho extraordinário, no prolongamento dos contratos a termo até praticamente seis anos, no aumento de mais de sete dias de trabalho anuais, num país que já é o que mais horas trabalha na zona do Euro".


O coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa disse que, em vez da competitividade anunciada, aquilo a que se assistiu em Portugal foi a "um assustador aumento do desemprego", que na realidade "é superior a 20%, apesar de todas as mascaradas que fazem para apresentar números inferiores".
 

"A quadrilha que nos governa não vai parar de destruir o país até serem corridos do Governo e, em meu entender, devem depois disso ser investigados por traição ao país no que pelo menos às privatizações diz respeito".


Depois das críticas à coligação PSD/CDS, o dirigente do Bloco apontou baterias ao PS e ao seu secretário-geral, António Costa, que considera ser um partido que apresenta uma proposta de alternância e não de alternativa.

"António Costa pisca o olho à esquerda política com afirmações de menos austeridade, mas jura fidelidade ao tratado orçamental e nem quer ouvir falar em renegociação da dívida", observou, considerando que o líder socialista ainda não disse "uma palavra consistente" sobre os direitos retirados.
 

"Ao dizer tudo e o seu contrário, o secretário-geral do PS quer o voto da esquerda política sem assumir compromissos e assim ficar de mãos livres para continuar a ser alternância em vez de ser alternativa".