A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins classificou hoje como uma «ameaça para levar a sério» a redução do custo de trabalho nas empresas, que o primeiro-ministro Passos Coelho disse ser uma reforma a concretizar.

«Temos uma ameaça que devemos levar a sério», disse Catarina Martins perante cerca de uma centena de militantes e simpatizantes do BE, num jantar comemorativo dos 16 anos da fundação da distrital de Coimbra daquela força partidária.

Catarina Martins criticou a afirmação de Passos Coelho de que o custo de trabalho nas empresas ainda é muito elevado em Portugal, contrapondo que ele é «menos de metade de Espanha e muito menos de metade da zona Euro».

«Queremos competir com quê, com os baixos salários do Bangladesh», questionou.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apontou na quinta-feira a redução do custo do trabalho para as empresas como uma reforma por fazer e afirmou que a quer concretizar nos próximos anos, com o apoio da União Europeia.

Durante uma conferência sobre investimento em Portugal, realizada nas instalações da Fundação Champalimaud, em Lisboa, considerou que «hoje o custo do trabalho para as empresas ainda é muito elevado», acrescentando: «Essa foi talvez a única importante reforma que não conseguimos completar neste domínio fiscal durante estes quatro anos. Mas será um objetivo seguramente importante para cumprir nos próximos anos».

A porta-voz do Bloco de Esquerda frisou ainda que o país sofreu, nos últimos anos, uma «compressão brutal» dos salários: «se houve coisa que em Portugal desceu foram os custos do trabalho», argumentou.

«Aliás, Portugal foi o país que mais comprimiu os custos de trabalho na zona Euro no último trimestre de 2014. O Governo não tem feito outra coisa que não comprimir os custos de trabalho», adiantou.

Para Catarina Martins, «a promessa» de Passos Coelho de «cortar mais» nos custos de trabalho «tem um nome: TSU [Taxa Social Única]».

De acordo com a dirigente do BE, o Governo não conseguiu aprovar as alterações àquela taxa, lembrando o mês de setembro de 2012, «quando um milhão saiu à rua contra um corte na TSU dos patrões, para que quem trabalha pagasse mais, mas não desistiu».

«Cortou tanto ou mais com as outras medidas todas à volta e agora chega ao fim da legislatura e apresenta-se ao país, ameaçando o país, de que o seu projeto continua a ser esse. Baixar os custos de trabalho, descapitalizar a Segurança Social, retirar a proteção a quem trabalha», acusou.