Catarina Martins voltou a atacar António Costa este domingo, afirmando que "o PS é a desilusão destas eleições". A porta-voz do Bloco de Esquerda diz que a maioria absoluta que o PS quer "dá jeito aos socialistas", mas "não resolve os problemas do país".

"O PS é a desilusão destas eleições. Tanta gente que acreditou em António Costa quando este dizia que queria combater a austeridade. E agora olham para o PS como um partido aflito, a pedir a maioria absoluta. Percebemos que a mairoia absoluta dá jeito ao PS, mas isso não resolve nenhum dos problemas do país."


A dirigente do Bloco foi mais longe e questionou o partido de António Costa sobre a flexibilidade nos despedimentos e os cortes nas pensões.

"A quem é que o PS prometeu a flexibilidade nos despedimentos e o corte nas pensões? Com quem é o que o PS fez esses compromissos?".

A bloquista recordou ainda que fez "uma proposta muito concreta ao PS" e que "duas semanas depois a resposta é que o PS não quer nem conversas nem compromissos com o Bloco de Esquerda".

Foi durante um almoço-comício no Pavilhão Atlântico em Lisboa, que juntou o maior número de apoiantes de sempre, perto de 2000 pessoas, que a dirigente do partido insistiu na ideia de combate ao voto útil, colocando, mais uma vez, PS lado a lado com a coligação e reiterando que "o verdadeiro voto útil" é no Bloco de Esquerda.

"Quando ouvimos Portas, o irrevogável, a dizer que quer estabilidade ou o PS a querer flexibilizar os despedimentos, estarão eles a querer chamar as coisas com outros nomes? Não entramos nessa ficção."


À direita, a dirigente bloquista acusou a coligação de querer transformar "a pobreza num negócio", referindo-se a parcerias com o privado no contexto social e acusou o Governo de ser "o mais extremista e ideológico em 40 anos" . Uma resposta à coligação que acusou Costa de preparar governo "extremista" com alianças à esquerda.

"Extremismo, caro Passos Coelho? O consenso social mais alargado numa democracia é a Constituição. Extremismo é ter governado quatro anos contra a lei mais fundamental do Estado."

Catarina Martins afirmou ainda que, nos útlimos quatro anos, o país foi "um balão de ensaio" da Europa, referindo o "fim da contratação coletiva", o "aumento do horário de trabalho", a redução das férias, "toda a negociata sempre com base no abuso sobre o trabalho" e o aumento de impostos dos trabalhadores em 30% .

"O que aconteceu nos últimos quatro anos no país e na Europa é o sonho da direita."

Naquele que foi o mais longo discurso da campanha até agora, a líder do Bloco falou nos números que devem "envergonhar o Governo": 700 mil desempregados sem qualquer apoio, 581 euros, o salário médio bruto dos novos contratos a partir de 2013, 485 mil pessoas que "foram obrigadas a emigrar nestes quatro anos" e 10 mil novos milionários.

O almoço contou com a presença de grandes figuras do partido como Francisco Louçã e João Semedo, que sentaram ao lado de Catarina Martins. Mariana Mortágua e Pedro Filipe Soares, os números um e dois por Lisboa, também discursaram neste comício.


"A vida não é um jogo do preferias"


A cabeça de lista pelo círculo de Lisboa, Mariana Mortágua, usou um jogo, "o jogo do preferias", para concluir que há mais escolhas do que coligação e PS.

"Preferias 20% da EDP privatizada pelo PSD ou 20% da EDP privatizada pelo PS? Preferias a dívida pública criada pelo PSD ou a dívida pública criada pelo PS? O que é que preferias? Não podes escolher outra coisa? A vida não é um jogo do preferias. Não estamos condenados a escolher entre o mau e o pior. Não aceitamos. Por isso estamos aqui hoje para dizer que queremos mudar as regras e alargar o campo das possibilidades. Não aceitamos escolher entre ser desempregado ou estagiário. Não aceitamos que nos digam que temos de escolher entre ser emigrantes e ser desempregados."


Falou sobre as posições de ambos dentro do quadro europeu, para dizer que "as duas candidaturas aceitam que vão governar dentro da margem" que a Alemanha lhes vai dar.

Mariana Mortágua recordou algumas das promessas do PS: "O PS afirma a pés juntos que vai repor apoios sociais, mas não diz quanto. Diz que vai aumentar os salários dos trabalhadores, mas não diz quanto isso vai custar nas pensões."

E não esqueceu a ausência de resposta de António Costa ao desafio de Catarina Martins, vincando que o grande argumento do PS nesta campanha eleitoral é "o medo de Passos Coelho".

"O PS recusou o desafio de Catarina Martins e do Bloco para pôr de lado o congelamento das pensões. [...] O grande argumento do PS é o medo de Passos Coelho."


Mortágua sublinhou ainda que a devolução da sobretaxa anunciada na sexta-feira pela coligação é "pura propaganda", afirmando que o que existe "é uma retenção de 75% de um imposto abusivo e inconstitucional". Mais, para a candidata à deputada."é quase impossível atingir a meta do défice para 2015."

Antes de Mortágua, Pedro Filpe Soares criticou a direita, PS e CDU para dizer que o Bloco teve os deputados que fizeram a diferença nos útlimos quatro anos. "Tivemos os deputados que fizeram a diferença. Foi esta a esquerda que tomou a liderança." 

E deixou um aviso: "Aquele pesadelo de um país de direita acaba no dia 4 de outubro. O galo deixará de cantar e passará a ser o canto do cisne."