Catarina Martins diz que a Comissão Europeia "decidiu entrar na campanha eleitoral em Portugal" e que isso é "inaceitável". As declarações da porta-voz do Bloco de Esquerda surgiram depois de o vice-presidente da comissão, Valdis Dombrovskis, ter garantido que não são precisas medidas orçamentais compensatórias para fazer face ao rombo do Novo Banco.

"Hoje a Comissão Europeia decidiu entrar na campanha eleitoral em Portugal. Depois de nos dizerem sempre que o défice não podia ser ultrapassado quando estavam em causa salários, pensões,o Serviço Nacional de Saúde, a educação,  agora a Comissão Europeia decide entrar na campanha para dizer que quando o defice é para o sistema financeiro pode ser e que o que interessa é manter  a austeridade no pais e manter tudo como estava."



Bruxelas considera que o impacto do Novo Banco é apenas um dado "contabílistico", mas o Bloco tem uma posição bem diferente. Durante uma arruada pela Morais Soares, em Lisboa, a candidata às legislativas disse que "se o buraco está nas contas públicas" são os "contribuintes que têm de pagar".

"Se o buraco do Novo Banco fosse um buraco para ser pago pela banca estava inscrito nas contas dos bancos privados, não estava inscrito no défice do nosso país e se está inscrito nas contas do país é porque se reconhece que essa é uma conta que os contribuintes têm de pagar."


Para Catarina Martins, é "este discurso da Comissão Europeia, a defender o sistema financeiro, que está a afundar o país.

A porta-voz do Bloco criticou ainda as declarações do primeiro-ministro a desvalorizar o aumento do défice, considerando-as "ridículas e estapafúrdias".

"O primeiro-ministro até pode dizer que rende juros, mas toda a gente percebe como é ridículo e estapafúrdio porque se fosse verdade o país queria défices de 20 ou 30%. Isso não é verdade."


Mais, Catarina Martins deixou um aviso: depois das eleições virá a "fatura" e com ela "medidas adicionais para corrigir o desvio do défice".

"Depois das eleições virá a fatura e vamos ouvir dizer que são precisas medidas adicionais para corrigir o desvio do défice e ja ouvimos esta história tantas vezes. A cada quatro anos dizem-nos que agora vai ficar melhor."


E por isso, deixou um apelo: é tempo de dizer a Bruxelas que o importante são "os salários, a saúde, a educação" pois é isso que "determina o futuro do país".

"Está na altura de dizer à Comissão europeia que defendemos o nosso pais, que o que é importante são os salários, a saúde e a educação porque é aí que se determina o futuro do nosso país."


"PS não pode acabar com austeridade se vai cumprir as mesmas metas"


Catarina Martins voltou a atacar o Partido Socialista. Depois de ter questionado, na quarta-feira, durante um comício do partido, o que iriam os socialistas fazer já que se comprometeram com as mesmas metas do défice que a coligação, a porta-voz do Bloco voltou a reiterar que António Costa não "vai acabar com a austeridade", pois segue "o alinhamento europeu" da direita.

"O PS mantém o mesmo alinhamento europeu que a coligação de direita, comprometeu-se com as mesmas metas orçamentais que são cada vez mais distantes e difíceis de alcançar e com a mesma lógica de que se conseguem com a compressão da despesa pública."

Neste contexto, a dirigente do Bloco volta à questão dos 1660 milhões de euros que o PS quer poupar nas pensões.

"É por isso que lá está [no programa do PS] o congelamento das pensões e uma redução em 1660 milhões de euros. O PS não pode acabar com a austeridade se vai cumprir as mesmas metas"

E assim, colocando PS lado a lado com a coligação, Catarina Martins diz que "é perigoso" votar num qualquer partido que "tem a mesma lógica que foi seguida até agora".

"Votar em qualquer um dos partidos que tem a mesma lógica que foi seguida até agora é perigoso porque da mesma forma que PSD e CDS querem destruir a Segurança Social, o PS é incapaz de um compromisso para a proteger e da mesma forma que Pedro Passos Coelho diz que quer baixar os custos salariais, o PS é incapaz de deixar cair a proposta de liberalizar os despedimentos."