O PCP comparou esta quinta-feira a situação do grupo empresarial Espírito Santo (GES) à do BPN, exigindo medidas por parte do Governo e do Banco de Portugal, com a sugestão de colocar o BES sob «controlo público».

«Perante isto, o que é que o Governo está a fazer? Vai continuar a assistir sem intervir? Vai deixar que a situação se deteriore para depois nacionalizar os prejuízos como fez o anterior Governo com o BPN? Exige-se da parte do Governo e do Banco de Portugal uma intervenção rigorosa e transparente que salvaguarde o interesse nacional e apure a real situação do GES e do BES e não uma atitude de silêncio e cumplicidade determinada pela subordinação ao poder financeiro», afirmou o deputado comunista Paulo Sá, em declaração política no parlamento.

O parlamentar do PCP manifestou «preocupação com a possibilidade de um risco sistémico, que já está a ter consequências nas cotações em bolsa das maiores empresas portuguesas».

«A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários suspendeu hoje a negociação das ações do BES depois de se terem afundado 17%. As incertezas já se estão a refletir nos juros da dívida pública que estão a subir em todos os prazos. A possibilidade de estarmos perante um novo BPN vai ganhando consistência», estimou.

Paulo Sá citou ainda notícias «sobre um conjunto de irregularidades nas empresas do GES, assim como sobre um eventual envolvimento de alguns administradores em casos de fraude e branqueamento de capitais».

«Estamos a ver em Portugal novamente este filme de terror que depois se vai abater sobre as pessoas. Sete anos depois (da crise financeira), de vermos que a desregulação foi o espaço da gula para os especuladores financeiros, tudo foi pedido às pessoas e o que foi pedido aos grandes grupos financeiros?», perguntou o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares.

O deputado do PCP relembrou que, «em 2007 e 2008, para salvar os bancos, puseram os contribuintes a pagar milhares de milhões».

«Perante a catástrofe, muito se disse sobre atuar sobre o sistema financeiro. O escândalo BPN devia servir de exemplo. Apenas foram nacionalizados os prejuízos. A opção do Governo foi chamar os contribuintes a pagar o desmando e esse 'buraco'», criticou.

Para Paulo Sá, o executivo da maioria PSD/CDS-PP, «pondo em causa o regular funcionamento das instituições democráticas, apenas permanece em funções porque o Presidente da República, ao arrepio do juramento que fez de cumprir e fazer cumprir a Constituição, o mantém 'ligado à máquina'».