Paulo Portas garante que tem toda a disponibilidade para ir ao parlamento, quer à comissão de inquérito ao caso BES, quer para ser ouvido sobre as alterações ao regime dos vistos gold. O vice-primeiro-ministro diz que para isso só é preciso que o chamem. Em declarações aos jornalistas, Paulo Portas criticou ainda Ana Gomes.
 

«Estou para ir à comissão de inquérito sobre o BES desde o primeiro dia. Foi a maioria PSD/CDS que propôs que eu fosse. Eu sempre fui a favor dessa comissão de inquérito do apuramento da verdade. Lá irei quando me chamarem», começou por afirmar Portas.

 

«Segundo, vistos gold. Sempre disse que a melhoria do regime seria feita ouvindo a oposição. É o que faremos. Ou seja, irei ao parlamento explicar a melhoria do regime», acrescentou o vice-primeiro-ministro.


Já sobre o caso dos submarinos, Paulo Portas acusa Ana Gomes de ser compulsivamente mentirosa e de estar obcecada.

«A doutora Ana Gomes voltou às suas obsessões com as quais eu não tenho nada a ver. Há uma única coisa que é importante que as pessoas saibam. Ao contrário do que ela disse, enquanto eu fui ministro dos Negócios Estrangeiros, as cartas rogatórias transmitidas ao ministério foram transmitidas às autoridades judiciais portuguesas. No dia 24 de junho de 2013, era eu ministro dos Negócios Estrangeiros. Essa senhora é compulsivamente mentirosa».

 
Esta quinta-feira, a eurodeputada socialista declarou haver indícios suficientes para investigar quer Paulo Portas quer Durão Barroso, no caso dos submarinos.
 
Sobre a Grécia, Portas diz que não é do interesse de Portugal aproximar-se daquele país. O vice-primeiro-ministro enunciou esta tarde as diferenças entre os dois países e avisa que o interesse nacional não é nem de direita nem de esquerda e que prevalece sobre solidariedades partidárias.
 
«Vejo aí muita gente a dizer "Eu sou Syriza". Com toda a franqueza, o que eu digo é diferente: "Eu sou português".

O governante considera um erro aproximar a situação de Portugal da da Grécia, já que «elas são desde o início, e agora ainda mais, completamente diferentes».

Paulo Portas explicou porquê: «A Grécia vai no segundo resgate, provavelmente a caminho do terceiro, Portugal teve um único resgate. A Grécia já pediu 300 mil milhões de euros, Portugal 78 mil milhões de euros».

Como exemplo acrescentou ainda que a Grécia tem os juros da dívida a dez anos nos 12,5%, enquanto em Portugal estão nos 2,5%.

Reiterando várias vezes que «não há comparação possível», Paulo Portas rematou que «o interesse nacional não é de direita nem de esquerda, é de Portugal, e prevalece sobre solidariedades partidárias».

«Os portugueses trabalharam muito e sofreram muito para conseguir o que conseguiram, para ter hoje os juros a 2,5% e não a 12,5%. Não vale a pena fazer amálgamas que não são certas, nem confusões», afirmou.


Paulo Portas sustentou ainda que todos desejam que a relação entre os países do euro seja positiva, mas sublinhou que «contra solidariedades partidárias apressadas, Portugal é Portugal».

«Como portugueses e europeus que somos, temos de continuar a trajetória que já fizemos e que custou muito, e temos de continuar a crescer», afirmou.


Além disso, lembrou que as normas de flexibilidade apontadas pela comissão Junker vão aplicar-se a países que não têm défice excessivo, dizendo a este propósito que Portugal em 2015 "tem de se livrar" disso, ou seja, ter um défice abaixo dos 3%.

Por outro lado, considerou «positivas as medidas que o governador do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que visam contrariar a deflação e reforçar o crescimento», recordando mais uma vez que também estas «são para países que cumprem ou mostrem vontade de cumprir» e que por isso «é que Draghi criou distâncias face à Grécia e a Chipre».