O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro afirmou, este domingo, que as «etapas difíceis» do processo do Novo Banco têm que ser ultrapassadas por «gente profissional», com «espírito de missão» e também por uma «supervisão eficiente». Já o PSD elogiou atuação do Banco de Portugal, com Marco António Costa a dizer que «já lá vai» o tempo «em que as instituições varriam para debaixo da carpete os problemas».

No discurso de encerramento da «escola de quadros» do CDS-PP, a «rentrée» política dos centristas, em Peniche, Paulo Portas foi o primeiro membro do Governo a comentar a saída de Vítor Bento do Novo Banco e a assumir que a prioridade é colocar de novo o banco no mercado.

«Queremos uma supervisão eficiente, lutamos por ela há muito tempo. Queremos que se supere as etapas difíceis com gente profissional, porque os bancos gerem-se por profissionais, e por gente que tenha espírito de missão, que em qualquer circunstância perceba que o interesse nacional se sobrepõe ao interesse pessoal. E gente que perceba que o mais importante para a economia portuguesa é devolver aquele banco ao mercado de modo a prejudicar o menos possível a nossa economia e as nossas empresas», afirmou, citado pela Lusa.

O líder do CDS assumiu, assim, a estratégia que Governo e Banco de Portugal têm para o Novo Banco e que terá estado na base da saída de Vítor Bento: o presidente do Novo Banco queria reconstruir o banco; o Governo, o Banco de Portugal e o sistema bancário entendem que a prioridade é vendê-lo rapidamente. Paulo Portas deixou implícito que Vítor Bento e a equipa não conseguiram colocar o interesse nacional acima de interesses pessoais.

Paulo Portas afirmou que no CDS-PP sabe-se «distinguir muito bem bancos e banqueiros». «Nos bancos ninguém quer problemas, nos bancos estão as nossas poupanças, estão os nossos empréstimos, estão os nossos salários, estão os nossos depósitos, a confiança é determinante e o princípio da confiança é determinante», declarou.

O líder centrista incluiu o processo do BES na lista de dificuldades que o Governo PSD/CDS-PP teve que enfrentar.

«Neste Governo não se pode dizer que tenhamos tido sorte. Este Governo teve que aguentar um protetorado de que não era responsável, uma bancarrota que não tinha feito, um memorando que não tinha negociado, uma troika que não se caracterizava propriamente pela piedade, uma recessão inevitável depois do resgate, uma recessão cá, outra na zona euro e outra em Espanha, onde estão os nossos clientes, problemas do sistema financeiro e, já depois de finalizado o resgate, a questão do BES», afirmou.

A equipa de gestão do Novo Banco liderada por Vítor Bento confirmou no sábado, em comunicado, que durante a semana apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade.

Em reação, no sábado, o Banco de Portugal assegurou que está a trabalhar para garantir que o futuro Conselho de Administração do Novo Banco vai permitir concretizar o projeto de desenvolvimento e criação de valor para a instituição financeira.

O Banco de Portugal anunciou, já este domingo à tarde, Eduardo Stock da Cunha como o sucessor de Vítor Bento na presidência do Novo Banco, depois de o responsável ter aceitado o convite que lhe foi endereçado pelo supervisor durante a semana passada.