O líder parlamentar do PS no Parlamento dos Açores, Berto Messias, defendeu esta quarta-feira a realização imediata de eleições legislativas e considerou que o Presidente da República «já não está à altura do cargo que ocupa».

«A situação é muito difícil e julgo que só há uma solução. Parece-me que é fundamental que haja eleições legislativas nacionais imediatamente, que seja devolvida a palavra aos portugueses», defendeu Berto Messias, em declarações à Lusa a propósito da crise política no Governo do República.

Berto Messias, que falava em nome do PS/Açores, acrescentou que «todos os atropelos dos últimos dias mostram que esta questão não pode estar circunscrita ou refém dos interesses partidários do PSD e do CDS-PP e muito menos pode estar sujeita aos egos dos dirigentes» dos dois partidos da coligação do Governo da República.

«E portanto, aquilo que nos parece pertinente e fundamental é que o senhor Presidente da República convoque eleições rapidamente para que os portugueses se possam pronunciar», insistiu.

O dirigente do PS/Açores afirmou ainda que «têm acontecido coisas que são absolutamente surreais» nos últimos dias, acrescentando: «A declaração do senhor Presidente da República ontem, enfim, dizendo que não tem conhecimento do que está a acontecer e passando o ónus de uma possível queda do Governo para a Assembleia da República, é absolutamente inenarrável».

«Lamento dizê-lo, mas julgo que o senhor Presidente da República já não está à altura do cargo que ocupa pela forma como tem gerido esta situação», considerou.

Berto Messias disse, por outro lado, acreditar que o PS «estará em ótimas condições para conseguir dar um rumo» ao país se ganhar as eleições que, eventualmente, forem convocadas nos próximos dias.

O Presidente da República, Cavaco Silva, reúne-se hoje com o secretário-geral do PS, António José Seguro, após as demissões de dois ministros de Estado: o responsável pelas Finanças, Vítor Gaspar (na segunda-feira), e o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS-PP, Paulo Portas (na terça-feira).

Na quinta-feira, Cavaco Silva recebe o primeiro-ministro, Passos Coelho, e os partidos com assento na Assembleia da República.