O sociólogo Manuel Carvalho da Silva considerou esta quinta-feira que as candidaturas presidenciais já conhecidas não asseguram os interesses dos portugueses porque não apostam no combate à atual política de austeridade.

"Acho que as candidaturas que até agora se apresentaram, e tendo em conta o que colocaram como objetivos programáticos, estão muito longe de preencher o espaço que existe e que é preciso preencher com uma candidatura que represente um esforço de intensificação dos interesses dos portugueses, enquanto interesse nacional", disse o professor universitário em entrevista à agência Lusa.


Carvalho da Silva considerou que os interesses dos cidadãos "têm de estar no centro do debate" para as eleições presidenciais do próximo ano e defendeu "uma candidatura com forte empenho na afirmação da democracia e da soberania e independencia nacional".

"Faltam até agora, claramente, projetos que ponham em causa, de forma frontal, as políticas de austeridade", afirmou.


O ex-sindicalista defendeu a necessidade de os candidatos a presidente da República apresentarem programas que mobilizem os portugueses contra a austeridade, sob pena de continuarem submetidos "a mecanismos atrofiadores, como são o Tratado Orçamental e as limitações imposta pela Dívida".

"Precisamos de um Presidente da República totalmente diferente [do atual]", disse, manifestando esperança de que o Partido Socialista "não embarque na secundarização das eleições presidenciais".


Carvalho da Silva considerou que está a ser feito um esforço para esbater as diferenças entre as linhas programáticas da direita e as do PS e que isso "é perigosissimo e prejudica toda a esquerda".

"É bom que se parta para as eleições legislativas com um bom confronto político e que se faça um percurso até às presidenciais que seja coerente com esse confronto", defendeu.

Manuel Carvalho da Silva afastou esta quinta-feira a hipótese de se candidatar à Presidência da República nas eleições do próximo ano, pondo fim a um período de especulação sobre a sua eventual candidatura independente e considerada de união de uma parte da esquerda.

Assegurou, no entanto, que continuará disponível, enquanto cidadão, para participar ativamente no debate polítco que considera necessário ser feito no período pré-eleitoral.

O antigo secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva tinha afirmado em março estar disponível para uma candidatura presidencial.

Em entrevista à Antena 1, o ex-sindicalista mostrava-se disponível para uma candidatura garantindo não estar obcecado com uma eleição para Belém, mas afirmando-se disponível para concorrer em 2016.

Carvalho da Silva disse na altura que poderia avançar, caso o processo de auscultação que estava a fazer revelasse que essa candidatura fazia sentido.

“Procurarei não defraudar estas posições e estar disponível”, declarou, vincando: “Não foi agora que despertei para este problema, sempre me pronunciei sobre isto. Não estamos perante uma novidade.”