A cabeça de lista do BE às europeias, Marisa Matias, criticou os brindes dos partidos do «Bloco Central» no arranque da campanha, considerando que não há «razões para festejar» e que os candidatos deviam estar próximos dos problemas reais.

«No primeiro dia oficial da campanha [segunda-feira], se calhar percebemos um bocadinho melhor a diferença entre a austeridade do PSD e do CDS e a austeridade do PS. É que uns celebram com Murganheira e os outros com Raposeira», disse aos jornalistas no final de uma visita à Feira de Évora.

Na opinião da candidata bloquista, «era importante que todos os candidatos ficassem mais próximos dos problemas que o país realmente enfrenta e se escusassem de brindar no dia oficial da campanha» já que não «nenhumas razões para festejar».

«Os partidos do Bloco Central optaram por fechar-se em caves, longe das pessoas, a festejar não se sabe muito bem o quê. Provavelmente os resultados do memorando de entendimento mas esses não significam nenhum festejo, no nosso entender», criticou.

Garantindo que o BE vai procurar «contactar ao longo desta campanha com aqueles que mais têm sido mais afetados pela crise», Marisa Matias elege o combate contra a abstenção como um dos maiores que o partido tem que fazer durante esta campanha para as europeias.

«As pessoas têm que votar, têm que tomar decisões. Porque se não votarem é a manutenção do sistema que existe atualmente, da relação de forças e de poder que existe atualmente. É verdade que há muita gente em Portugal que não percebeu que pode usar o seu voto para traduzir o seu descontentamento», observou.

Para a eurodeputada recandidata as campanhas servem para falar mas também para ouvir, e durante a visita à feira em Évora ouviu muitas queixas, lamentos e histórias de vida resultantes da crise por parte de feirantes e compradores.

Interrogada sobre a ausência de temas europeus durante o primeiro dia da campanha, Marisa Matias recordou que o BE apostou em questões do ambiente e da saúde pública na segunda-feira, áreas que têm a ver «com questões europeias».

«Passam muito para além daquilo que são guerrinhas entre partidos que nada têm a ver com aquilo que se pode decidir no contexto europeu», considerou.

Marisa Matias foi, também, questionada sobre o facto de o Governo ter garantido hoje que escolheu sábado para realizar o Conselho de Ministros por se completarem, nesse dia, três anos do programa de resgate.

«O Governo tem que decidir qual é a justificação que quer dar porque fez também um Conselho de Ministros extraordinário, que na realidade foi um comício. Fizeram uma festa enorme na altura que foi a declaração da saída limpa e disse na altura o primeiro-ministro que fazia nessa data, há cinco dias atrás [na passada quinta-feira], para não ter que fazer nada no dia 17 de maio porque já ia entrar em campanha eleitoral e não queria interferir», considerou a candidata.

Na opinião de Marisa Matias «a única justificação é o próprio primeiro-ministro mais uma vez estar a desmentir aquilo que disse há cinco dias».

«Na realidade isto mostra uma grande "nervoseira" por parte do Governo porque prometeu há cinco dias que não iria fazer nada no dia 17 de maio para não interferir nas eleições e agora como vê que as coisas não estão a correr bem, decide fazer no dia 17 como um ato de pura propaganda», reiterou.