O Bloco de Esquerda (BE) trouxe esta quinta-feira para o parlamento a situação no Grupo Espírito Santo (GES), alertando que o que se passa na entidade «pode destruir o sistema financeiro».

«Não achamos normal esta situação. Não achamos normal que se acumulem buracos financeiros de 7,7 mil milhões de euros e que nos digam que está tudo bem e que tudo está controlado. Que haja aqui o resultado de uma atividade que pode destruir o sistema financeiro e nos digam que tudo vai bem», disse o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, numa declaração política no parlamento.

Pedro Filipe Soares diz que ninguém «está tranquilo» com o que se passa no GES, e lembrou episódios como a suspensão desta quinta-feira da negociação das ações do Espírito Santo Financial Group (ESFG), 'holding' com sede no Luxemburgo.

«Hoje percebemos que continua a desmoronar o GES, um dos mais importantes grupos económicos do país, e que tem uma ligação a vários governos deste país. Ao sistema financeiro tudo foi possível, tudo tem sido possível», advogou o bloquista.

O líder parlamentar do BE lembrou ainda as recentes nomeações de Vítor Bento e João Moreira Rato para o Banco Espírito Santo (BES), realçando as suas proximidades com a política, no primeiro caso, e com a dívida pública, no segundo.

«Aqui cai o engodo da direita: dizem sempre que há uma separação de poderes, mas eles é que nunca se querem separar do poder, particularmente o financeiro», sustentou Pedro Filipe Soares.

O PS, pelo deputado João Galamba, disse que a situação que se passa no GES «derrota de forma definitiva» a tese de que a «principal ameaça para a credibilidade financeira do país» era «a despesa do Estado social».

Paulo Sá, deputado do PCP, alertou para o «risco sistémico» desta situação, lembrando o impacto da mesma nas cotações bolsistas de várias empresas e nos juros da dívida pública, que têm vindo a aumentar.

Já Duarte Pacheco, pelo PSD, reclamou «serenidade», lembrando que o regulador, o Banco de Portugal, tem estado atento e tem vindo a intervir.

O social-democrata lembrou ainda que a ministra das Finanças, o governador do Banco de Portugal e o presidente da CMVM vão ser chamados ao parlamento na próxima semana, e aí poderão prestar esclarecimentos.