A porta-voz do BE reiterou, esta terça-feira, a exigência de retirada da presença militar norte-americana na base das Lajes e de recompensa por parte das autoridades dos Estados Unidos pelos estragos ambientais e sociais.

«A presença americana no solo português não tem sentido, envergonhou-nos. A base das Lajes foi, aliás, palco de uma cimeira de guerra preventiva no Iraque que só nos envergonhou a todos», declarou Catarina Martins, à margem de uma ação política no Chiado, Lisboa.

Os responsáveis dos Estados Unidos anunciaram recentemente a diminuição de efetivos na ilha Terceira em cerca de 500 militares e civis, além de outros tantos trabalhadores portugueses.

«Quem esteve naquela ilha durante tanto tempo e criou tantos problemas ambientais, quem usou a ilha como quis para as guerras que quis não pode agora ir embora sem pagar o que é devido», continuou.

Para a dirigente bloquista, «os americanos não podem ir embora e deixar, do ponto de vista social e ambiental, todo o estrago».

«O Governo tem de ter uma voz forte e exigir a reparação de todos os danos ambientais e do problema do desemprego, naturalmente», vincou.


BE lança petição contra austeridade

Na mesma ação política, a dirigente bloquista Catarina Martins lançou uma petição pública à Assembleia da República para a desvinculação de Portugal do Tratado Orçamental, e mostrou-se confiante num triunfo da esquerda nas eleições legislativas gregas de domingo.

«Este é o primeiro dia em que lançamos uma campanha em todo o país para Portugal dizer não à austeridade. Há alternativa e ela constrói-se sendo capaz de dizer na Europa que Angela Merkel [chanceler alemã] não manda aqui, que podemos ter uma Europa solidária e ter outra forma de utilizar a riqueza do nosso país», defendeu, no Chiado, em Lisboa.

Diversos militantes do BE pediram assinaturas a cidadãos para o documento e distribuíram um jornal gratuito, com uma tiragem de 200 mil exemplares, algo que também aconteceu noutros pontos do país.

«É uma petição em que pedimos a desvinculação do Tratado Orçamental, que é um instrumento que a União Europeia tem e obriga o nosso país a cortar no orçamento do Estado, a cada ano, 6.800 milhões de euros, o equivalente a uma escola pública inteira», explicou a deputada.

Catarina Martins congratulou-se ainda pela possibilidade de a coligação helénica Syriza (Esquerda) poder vir a vencer o sufrágio legislativo, uma vez que continua à frente da Nova Democracia (centro direita) nas últimas sondagens, e haver, pela primeira vez, «um governo no Conselho Europeu a dizer não ao Tratado Orçamental e a lutar pela reestruturação da dívida dos países periféricos».

«Vamos ter eleições na Grécia e a esquerda pode ganhar as eleições pedindo exatamente isto, para acabar com a austeridade. Na Irlanda também temos vozes cada vez mais fortes e é assim em Espanha. O que estamos a propor é que Portugal também diga que não à austeridade», disse, acrescentando que o país «só tem a ganhar se souber acompanhar esse movimento europeu».