A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, afirmou esta quarta-feira que os portugueses estão a assistir a um “jogo triste” com a "polémica sobre quem chamou a ‘troika’”, considerando que esta questão “não diz nada” ao país.

“Este jogo de passa culpas sobre quem tentou chamar a ‘troika’ é um jogo triste que não diz nada ao país”, disse.

Para a porta-voz do BE, que falava aos jornalistas em Campo Maior, no distrito de Portalegre, à margem de uma iniciativa de pré-campanha que decorreu na fábrica da Delta Cafés e no Centro de Ciências do Café, a responsabilidade da vinda da ‘troika’ (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) para Portugal deve-se ao PS, PSD, e CDS-PP.

“Quando muito deve-nos fazer lembrar [a vinda da ‘troika’] a todos quem é que teve responsabilidades nessa circunstância, quem é que achou que era uma boa ideia vir a ‘troika’, quem é que negociou e apoiou o memorando, foram três partidos: PS, PSD e CDS”, sublinhou.


Catarina Martins lançou, no entanto, críticas ao primeiro-ministro sobre este caso, acusando Pedro Passos Coelho de ter apoiado a vinda da ‘troika’ para Portugal.

“Eu confesso que julgo que não há nenhuma novidade para ninguém que se lembre do que aconteceu em 2011, do facto do PSD ter dito que queria a solução ‘troika’, todos nós temos memória”, recordou.

“Lembramo-nos não só de PSD ter pedido a intervenção externa como, com certeza, também nos lembramos de Eduardo Catroga, em nome do PSD, a dizer no fim das negociações que o memorando tinha sido muito influenciado pelo PSD”, acrescentou.

Para a porta-voz do Bloco de Esquerda, Pedro Passos Coelho “tem tentado rescrever a história, mas a história não se reescreve”.

Catarina Martins acusou ainda o primeiro-ministro de se contrariar a si próprio, afirmando que Passos Coelho “gosta de negar a realidade, de dizer e desdizer”.

O país, na opinião de Catarina Martins, está “mais endividado do que nunca”, o sistema financeiro “continua a ser um risco” e o défice de 2014 “é igual” ao défice de 2011, depois de “tantos sacrifícios” que os portugueses fizeram ao longo dos últimos anos.

“A receita que foi prometida falhou. Agora todos tentam passar as culpas sobre o facto de uma receita que foi verdadeiramente desastrosa para o país”, concluiu.