A porta voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, qualificou este domingo como “absurda” a polémica dos debates televisivos para as eleições legislativas e considerou que a coligação está a “arranjar uma desculpa esfarrapada” para evitar os confrontos.

Catarina Martins falou aos jornalistas à margem de uma visita à Fatacil, em Lagoa, no Algarve, e disse ser “absurda, do ponto de vista democrático”, a exigência do PSD em incluir também Paulo Portas, líder do CDS, partido com o qual forma a Coligação Portugal à Frente, no debate de 22 de setembro, com as restantes forças políticas com assento parlamentar.

“O debate que tem existido em torno dos debates é absurdo e, da nossa parte, está encerrado. Os debates estão marcados, as televisões reuniram-se com todos os partidos políticos e acertámos todos juntos fazer um debate entre as quatro candidaturas – Portugal à Frente, Partido Socialista, CDU e Bloco de Esquerda - no dia 22. O BE, no dia 22, tal como acordado, estará no debate e está preparado para o debate”, afirmou Catarina Martins.


A porta voz do BE disse que também já “estão acertados frente-a-frente entre os líderes dos vários partidos”, o primeiro deles a 01 de setembro, e assegurou que estará presente em todos os confrontos que foram acordados entre os partidos e as cadeias de televisão.

Catarina Martins considerou ainda que “o que agora a coligação vem dizer é que não só não quer respeitar a lei que escreveu, que obriga a um debate entre todas as candidaturas, como ainda por cima não respeita o acordo que já fez entretanto com os partidos sobre o modelo dos debates e até a data”.

“E isso é verdadeiramente inaceitável. Por nós esta questão está encerrada, está bem encerrada, houve um 'email' de 05 de agosto das televisões aos partidos que resume o que foi acordado e tem as datas dos debates, nós lá estaremos”, reiterou.


A dirigente do BE observou que “faz parte da obrigação de cada uma das forças políticas que se apresenta a eleições participar em debates e com isso contribuir para uma campanha esclarecida” e recordou que “o PSD escreveu a lei, aprovou a lei, concordou com a realização de um debate” e agora está a voltar atrás na palavra e exige a presença de Paulo Portas.

Catarina Martins referiu que há coligações em Portugal há décadas e considerou que “é estranho que haja duas pessoas a defender o mesmo programa, porque ou é o dobro do tempo para dizer o mesmo ou têm visões diferentes e não se percebe porque estão numa coligação”.

“É um absurdo do ponto de vista democrático e não tem nenhum sentido”, acrescentou, considerando que a coligação está “a arranjar uma desculpa esfarrapada, depois de já terem acordado e de já terem escrito a lei, para fugir ao debate, porque têm muita dificuldade no confronto de explicar as mentiras que andam a dizer ao país”.