PS, PCP e Bloco de Esquerda confrontaram hoje o ministro da Economia, Pires de Lima, com as posições por si assumidas enquanto empresário em matéria de defesa da estabilização dos rendimentos e importância do mercado interno.

No debate do Orçamento do Estado para 2014, na generalidade, o vice-presidente da bancada socialista Pedro Nuno Santos perguntou a Pires de Lima se ainda mantinha o que escrevera numa moção para o congresso do CDS previsto para o verão deste ano, mas que ainda não se realizou, sobre a importância do consumo para a sustentabilidade das empresas.

O deputado do PCP Bruno Dias observou Pires de Lima sentado na bancada do Governo e comentou: «Que diferença que o senhor faz desde que foi à recruta, aparecendo agora como soldado milagreiro».

«Onde está a sua defesa da descida do IVA da restauração? Consegue ainda hoje dizer, mesmo que baixinho, IVA da restauração?», questionou o deputado do PCP, provocando risos em várias bancadas da oposição.

Já a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua referiu-se à ideia de «milagre económico» defendida no início desta semana pelo dirigente do CDS e ministro da Economia.

«O empresário Pires de Lima dizia que Portugal precisava de um ministro da Economia forte. Agora o ministro da Economia converteu-se num profeta milagreiro. Realmente, é preciso apelar à fé dos portugueses para esquecer o inferno da realidade, o inferno de uma dívida não pagável ou de meio milhão de desempregados sem qualquer apoio», declarou Mariana Mortágua.

Na resposta, Pires de Lima agradeceu aos deputados da oposição «a enorme atenção» com que seguiram as suas posições públicas.

«Senhor deputado do PS [Pedro Nuno Santos] - e com isto respondo também ao PCP e Bloco de Esquerda -, o que é um inferno para os empresários, para os gestores e para os trabalhadores é ouvirem a oposição, por interesse partidário, desqualificar o esforço das empresas», disse, recebendo palmas das bancadas do PSD e do CDS.

Pires de Lima afirmou depois ser «uma honra» para si estar a «servir a pátria num momento tão exigente como o atual sob a liderança do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho».

«Concluir este programa de assistência financeira é a melhor notícia que podemos dar às empresas, legando ao futuro Governo uma situação de endividamento e de dependência externa bem menor e completamente diferente da que este Governo encontrou em 2011», acrescentou o ministro da Economia.