O PCP é da opinião que o adiamento de uma decisão sobre eventuais sanções a Portugal faz parte de um "processo de chantagem" e acusou PSD e CDS-PP de estarem ao lado da Comissão Europeia contra o país.

Em declarações aos jornalistas, no parlamento, o líder parlamentar do PCP enquadrou este adiamento num "processo de chantagem e de pressão sobre o país por parte da Comissão Europeia" e instituições europeias em geral, destinado a "reverter todas as medidas positivas que têm sido tomadas" em Portugal e a "recuperar a política do anterior Governo".

João Oliveira alegou que, "por isso, talvez não seja de estranhar que o PSD e o CDS-PP acabem por voltar à posição inicial, alterando a crítica que faziam às sanções, novamente colocando-se ao lado da Comissão Europeia, contra o país, contra os portugueses, defendendo que afinal as sanções devem ser aplicadas".

Segundo o líder parlamentar do PCP, trata-se de um processo dirigido "contra este Governo e contra as medidas que têm sido tomadas na Assembleia da República" e que pretende pôr em causa a tomada de decisões "no exercício da soberania nacional" de Portugal.

"Com esses objetivos, têm vindo a ser desenvolvidas estas operações de chantagem e de pressão sobre o nosso país, em que se integra esta nova decisão de adiamento, que nós rejeitamos, porque consideramos que aquilo que é necessário é defender a soberania nacional", reforçou.

João Oliveira disse que a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal por défice excessivo tem por base a anterior governação PSD/CDS-PP, "que teve resultados que estão à vista".

Também a coordenadora do Bloco de Esquerda considerou que os "adiamentos sucessivos" da Comissão Europeia sobre as eventuais sanções a Portugal são para "fazer pressão sobre o atual Governo", criticando PSD e CDS por continuarem a integrar o Partido Popular Europeu.

Catarina Martins falava aos jornalistas na sede do BE, em Lisboa, precisamente depois de ter estado a responder em direto na rede social Facebook a perguntas sobre sanções a Portugal, sessão que decorria enquanto, em Estrasburgo, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, confirmou que as decisões sobre os Procedimentos por Défice Excessivo (PDE) a Portugal e Espanha não serão tomadas hoje, mas "muito em breve".

"A Comissão Europeia não pode sancionar o país e o que está a acontecer neste momento é um ataque verdadeiramente à democracia em Portugal e à nossa economia porque o que está a ser feito é fazer adiamentos sucessivos para fazer pressão sobre o atual Governo, sobre a atual maioria parlamentar com base na política da própria Comissão Europeia e da direita anterior a essa mudança em Portugal", criticou.

A coordenadora bloquista registou que "todos os partidos disseram que são contra as sanções", mas também que "PSD e CDS continuam a fazer parte do PPE [Partido Popular Europeu] que está a propor sanções", não percebendo como é que estes dois partidos portugueses continuam a fazer parte desta força política europeia.

"Registo que Assunção Cristas escreve cartas indignadas, mas que Nuno Melo não disse nada quanto o presidente do partido europeu em que está inserido pediu as sanções e registo que tanto Passos Coelho como Maria Luís Albuquerque vieram tentar dizer que as sanções têm a ver com o ano 2016. A direita neste momento está aliada a forças que estão a pressionar o nosso país", condenou, segundo a Lusa.