Um ano depois de assumir o cargo de porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins alcançou um recorde de número de deputados e a viabilização histórica do Governo do PS.

Foi a 30 de novembro de 2014 que a mesa nacional do BE aprovou a criação de uma Comissão Permanente que tem como porta-voz a até então coordenadora Catarina Martins, que dividia na altura a liderança do partido com João Semedo.

Do órgão então formado fazem parte Pedro Soares, Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua, Adelino Fortunato e Nuno Moniz, e a criação da Comissão Permanente deu-se depois de um congresso do partido em que as duas principais candidaturas - lideradas por Catarina Martins e Pedro Filipe Soares - tiveram a mesma votação.

Atriz, mestre em Linguística, Catarina Soares Martins (42 anos), deputada eleita pelo círculo eleitoral do Porto foi indicada porta-voz da Comissão Permanente do BE e afirmou na ocasião que a nova solução de liderança tornaria o partido "mais forte e mais unido".

Pedro Filipe Soares, por seu turno, continuou como líder parlamentar do partido.

De lá para cá, realizaram-se eleições legislativas em que o Bloco passou de oito para 19 deputados, ficando somente atrás da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) e do PS.

O BE conseguiu nas legislativas de 04 de outubro o seu melhor resultado, com uma bancada recorde de 19 deputados, a reconquista de todos os distritos perdidos em 2011 (Coimbra, Braga, Leiria e Santarém) e a eleição pela primeira vez na Madeira, num total de representação em dez círculos eleitorais.

Ainda na pré-campanha, no seu minuto final do frente-a-frente televisivo com António Costa, Catarina Martins surpreendeu ao elencar as condições para um diálogo de Governo entre socialistas e bloquistas.

"Se o PS estiver disponível para abandonar esta ideia de cortar 1660 milhões de euros nas pensões, abandonar o corte da TSU (Taxa Social Única) e o regime conciliatório de despedimentos, no dia 05 de outubro cá estarei para que possamos conversar sobre um Governo que possa salvar o país, que possa pensar como reestruturar a sua dívida para termos futuro e emprego", disse a porta-voz do BE sem que o secretário-geral socialista tenha respondido ao repto.


A bloquista seria assim elogiada por comentadores e imprensa pela sua preparação para os debates televisivos que teve com outros líderes de partidos políticos.

Uma das mensagens transmitidas ao longo da campanha foi a de que "o voto de confiança" teria de ser dado ao BE e o partido assumia na corrida às legislativas a responsabilidade de fazer parte da solução para o país.

Catarina Martins foi posteriormente figura central na viabilização do Governo do PS liderado por António Costa e que tomou posse na quinta-feira.

Esse acordo foi descrito pela imprensa portuguesa e internacional como histórico.

"O moderado Partido Socialista, de centro-esquerda, formou uma aliança sem precedentes com o mais pequeno Partido Comunista e o radical Bloco de Esquerda, ligado ao partido anti-austeridade da Grécia, Syriza, e usaram um voto parlamentar sobre políticas para forçar o Governo a demitir-se na terça-feira", escreveu o britânico Guardian.


Após a tomada de posse de António Costa como primeiro-ministro de um executivo apoiado pela esquerda parlamentar, a porta-voz do Bloco congratulou-se com o "novo ciclo" que Portugal vive mas lembrou que o "grande desafio" para melhorar a vida dos portugueses começa agora.

"O grande desafio começa agora. Pela parte do BE, seremos a garantia e o compromisso pelos salários e pensões, segurança social, saúde e educação. Haveremos de ter um país um pouco mais justo", vincou Catarina Martins.

Para as presidenciais de 24 de janeiro o Bloco apoia a candidatura de Marisa Matias, eurodeputada eleita pelo partido.