Entre a série Guerra dos Tronos e o renascentista italiano Nicolau Maquiavel, Francisco Louçã defendeu este sábado a tese de que o único argumento do poder europeu assenta na ideia de que é "preferível ser temido do que ser amado".

No Fórum Socialismo 2016, a rentrée política do Bloco de Esquerda, a decorrer em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, o professor universitário acabaria por defender a necessiade urgente de se recuperar a soberania política.

A União Europeia é um projeto falhado. Não pode representar aquilo que promete e o que representa é o contrário do que prometeu. Prometia convergência e tem divergência. Prometia melhoria social e tem, pelo contrário, a degradação das condições de vida das classes populares", afirmou o antigo coordenador do BE, citado pela Agência LUSA.

Como na Guerra dos Tronos

Para Louçã, tal como na Guerra dos Tornos, "se a exibição do poder é suficiente para manter o poder", fica então a resposta à laia de Maquiavel: "hoje a Europa só pode garantir a exibição do poder" usando o argumento de que "é preferível ser temido do que ser amado".

A saída é sempre imperativa para que haja uma alternativa em que se possa recuperar soberania, decisão, democracia, capacidade do povo poder fazer escolhas", defendeu Louça, considerando que "aquilo que é legítimo já não é soberano. A democracia não pode decidir sobre o que tinha de decidir".

O poder do dinheiro 

Louçã criticou a União Europeia enquanto "máquina de austeridade, privatizações, de pressão e de destruição em permanência", na qual "a burguesia financeira é o centro da estrutura do poder do capital porque é o centro da acumulação do capital".

Em alguma medida não precisávamos que o Durão Barroso fizesse o favor de nos lembrar disso ao passar da Comissão Europeia para presidente da Goldman Sachs, mas isso é mais um dos elementos de gratidão que nós temos em relação a ele: é dizer-nos que o poder político está no bolso do poder financeiro e o poder financeiro não se esquece dos seus", ironizou no Fórum do BE.

Para o antigo coordenador bloquista, "quanto pior a Europa é", mais é dito: "aguenta, aguenta porque isto vai-se corrigir".

Nós ficamos com pena suspensa porque não há sanções agora. Que bom que é, então eles estão-nos a entender", disse, avisando que "este discurso é muito perigoso" uma vez que é dito que nada seja feito que "incomode os poderosos".