O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo assumiu, esta terça-feira, que os resultados do partido nas eleições autárquicas de domingo ficaram «muito aquém» das expectativas.

«Estas eleições confirmaram (...) uma muito frágil participação, inserção do BE nas autarquias e no trabalho autárquico», assumiu João Semedo, «tendência» que já vem desde 2001, nota o bloquista.

O coordenador do partido falava na sede do Bloco, em Lisboa, em conferência de imprensa que se seguiu a uma reunião da Comissão Política do partido, que teve lugar na noite de segunda-feira.

Na conferência de imprensa desta terça-feira, Semedo enalteceu uma vez mais a «monumental derrota» do PSD e da política de direita e da austeridade, mas reconheceu também a fraca implementação do Bloco a nível local, assumindo a sua quota-parte de responsabilidades no resultado de domingo.

«Até hoje não encontrámos a chave para resolver as dificuldades que temos no nosso trabalho local», declarou.

Questionado pelos jornalistas sobre as consequências desta derrota na liderança do partido, que divide com Catarina Martins, Semedo realçou que nem ele «nem a Comissão Política» vêm necessidade de repensar a liderança a dois do BE. «Não vejo qualquer razão para isso. Não vejo eu nem vê a comissão política. Mas queria dizer claramente que ao dizer isto isso não significa que haja no BE qualquer limitação, qualquer dificuldade, qualquer obstáculo, para se discutirem estes resultados eleitorais», realçou.

Dos objetivos propostos pelo BE, apenas um em quatro foi atingido, a vitória no Funchal, Madeira, contra o «jardinismo», de uma coligação encabeçada pelo PS e que conta também com o Bloco.

De resto, a perda da autarquia de Salvaterra de Magos, única a que o BE presidia, a não eleição de Semedo para a vereação em Lisboa e a perda de mandatos autárquicos e votos no domingo resultam numa «derrota» assumida pelo Bloco.

A Comissão Política do partido decidiu também marcar para 12 de outubro uma reunião da Mesa Nacional para melhor analisar os resultados e discutir a ação política a nível nacional, nomeadamente no que ao Orçamento do Estado para 2014 diz respeito.

A nível nacional, o BE conseguiu no sufrágio de domingo 2,4%, cerca de 120 mil votos, abaixo dos 3,02% - e cerca de 166 mil votos - de 2009.