A dirigente do BE Catarina Martins afirmou, esta segunda-feira, que o Governo da maioria PSD/CDS-PP já tem a "missão cumprida" da desvalorização dos custos do trabalho, além da destruição e precarização do emprego.

Num jantar-comício no Monte da Caparica, a porta-voz bloquista citou o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e acusou o chefe do Governo, Passos Coelho, de ser “descarado e cruel”, ao dizer-se arrependido de não ter conseguido levar a cabo a reforma relativa aos salários.

"Sobre o que tem sido feito ao emprego em Portugal, é bom lembrar as duas palavras de Paulo Portas - 'missão cumprida'. Descer salários? Missão cumprida. Tornar todos os empregos precários? Missão cumprida. Fazer o Estado pagar estágios nas empresas privadas? Missão cumprida. Mesmo depois desta missão cumprida não desistem", afirmou, no final do primeiro de dois dias de jornadas parlamentares no distrito de Setúbal.

Para Catarina Martins, Portugal vive "um momento meio absurdo em que o Governo finge que não fez o que fez - baixar salários - e finge que não quer fazer o que quer fazer, que é continuar a baixar salários."

"Passos Coelho, há pouco tempo, veio dizer que a reforma que lamenta não ter feito foi baixar os custos de trabalho e diz isto no país em que os custos de trabalho já são metade do que na vizinha Espanha. É caso para dizer que, mais que descaramento, isto já é crueldade, que não podemos aceitar", insurgiu-se.

Para a deputada bloquista, a troika avalia-se a ela própria, o Fundo Monetário Internacional (FMI) vem dizer o que acha, o Governo vai dizendo umas coisas e muitas vezes passa-se ao lado do que é a vida das pessoas."

"Discutem-se décimas, flutuações de trimestre, às vezes discutem-se uns SMS entre Portas e Coelho e aquilo que é concreto fica à margem", lamentou.

O FMI divulgou esta segunda-feira um documento sobre os trabalhos da missão técnica em Portugal, ao abrigo do Artigo IV e realizada em março, considerando que "deve ser dada prioridade a uma maior redução do número de funcionários [públicos] através de uma maior saída natural de trabalhadores [pela não renovação de contratos] e de cortes direcionados para áreas com pessoal a mais" e que o crédito fiscal para famílias com baixos rendimentos é mais eficaz na redução da pobreza do que o aumento do salário mínimo.

"Nos últimos três anos, os salários médios em Portugal, dos novos empregos, não foram além dos 585 euros brutos, líquidos 500 euros. O que este Governo conseguiu nos últimos anos foi que o salário médio ficasse praticamente igual ao salário mínimo. Um abaixamento brutal dos salários", condenou Catarina Martins.

A dirigente do BE frisou ainda que "a qualidade do emprego" em Portugal tem um "duplo problema: o emprego que falta e o mau emprego" que existe, "precário e cada vez mais mal pago."