O Bloco de Esquerda (BE) considera que a atribuição a Carlos Moedas da pasta da Ciência na Comissão Europeia é uma derrota para o Governo português e uma péssima notícia para o povo europeu.

«É uma péssima notícia para o povo europeu, porque facilmente se percebe que Carlos Moedas não tem quaisquer pergaminhos na área da educação e ciência», declarou a deputada e dirigente do BE Mariana Mortágua aos jornalistas, na Assembleia da República.

«Quais são os créditos de Carlos Moedas para ocupar a pasta da investigação e de educação? Não tem nenhuns créditos, nenhuma experiência na matéria, não há nenhum racional para ocupar esta pasta», defendeu Mariana Mortágua.

Admitindo que «esta pasta poderia ser relevante nas mãos de alguém que acredite no investimento público na educação», a deputada do BE referiu que o ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro «vem da Goldman Sachs» e pertenceu a um Governo que tem estado a «destruir a ciência e a educação em Portugal».

Por outro lado, Mariana Mortágua sustentou que a atribuição desta pasta a Carlos Moedas «é uma derrota para o Governo português» liderado por Pedro Passos Coelho, porque «não conseguiu a pasta de relevo» que pretendia, «apesar de tudo ter feito para agradar a Merkel».

«O que sabemos é que o Governo queria a pasta do emprego, não queria a pasta da investigação. Nunca ouvimos nenhum membro do Governo manifestar nenhum interesse nesta pasta, nunca foi esse o objetivo», alegou.

A deputada do BE condenou, em termos gerais, as escolhas de Jean Claude-Juncker para a Comissão Europeia, considerando-as «uma péssima notícia para o povo europeu».

«O que temos são os líderes da direita ultra radical a tomar conta de pastas essenciais, como o emprego, temos homens escolhidos da Grã-Bretanha, sítio da liberalização financeira, a ocupar pastas de estabilização financeira, temos a Europa da finança e da austeridade a tomar conta do povo europeu», apontou, concluindo: «Temos a Europa da austeridade no poder, e por isso o povo português não pode esperar nada de bom desta Comissão Europeia».

Por sua vez, o eurodeputado democrata-cristão Nuno Melo considera que a atribuição da pasta da Investigação, Ciência e Inovação a Carlos Moedas resultou de «uma boa negociação» e destacou que o pelouro vale 80 mil milhões de euros.

«A indicação do engenheiro Carlos Moedas resulta de uma boa negociação, tem futuro e tem fundos. São mais de 80 mil milhões de euros, mais do que o pacote financeiro de ajuda a Portugal», afirmou Nuno Melo, em declarações à Agência Lusa.

Segundo o eurodeputado do CDS-PP, a escolha da pasta da Investigação, Ciência e Inovação «tem futuro» porque caberá a Carlos Moedas decidir sobre «projetos fundamentais no âmbito do horizonte 20/20 que tem vindo a ser apontado pela Comissão Europeia como a maior aposta para relançar a liderança da Europa nos planos científico, económico e social».

«Falamos do financiamento de todo o tipo de atividades, micro, pequenas e médias empresas, em áreas cientificas, de saúde, nas tecnologias de informação, segurança, energia, e em duas áreas muito importantes para Portugal, que têm dotações autónomas, o mar e a herança cultural», acrescentou.

A «Comissão Juncker» deverá entrar em funções a 01 de novembro, tendo o colégio de comissários que ser aprovado ainda pelo Parlamento Europeu, depois de audições de cada um dos comissários designados, que terão início ainda em setembro.