A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, insistiu, nesta sexta-feira, na necessidade do acesso ao contrato assinado entre o Fundo de Resolução bancário e o antigo governante Sérgio Monteiro, “ministro das privatizações” do Governo PSD/CDS-PP.

“Se hoje mesmo quisemos ver o contrato que Sérgio Monteiro fez com o Banco de Portugal”, que tem sob sua alçada o Fundo de Resolução, “é porque achamos que hábitos antigos na política não podem trazer uma política nova”, disse.

Numa intervenção em Évora, num jantar de apoio a Marisa Matias, candidata presidencial do BE, Catarina Martins criticou o antigo governante do Governo PSD/CDS-PP por, “depois de ser ‘ministro das privatizações’ da direita” ser, agora, “o homem do Banco de Portugal na venda do Novo Banco”.

Nesta matéria, “seremos tão exigentes como sempre fomos”, prometeu a porta-voz do BE.

Já hoje, o Bloco tinha apresentado na Assembleia da República um requerimento, endereçado ao Banco de Portugal (BdP), pedindo o acesso ao "contrato formal" assinado entre o Fundo de Resolução e Sérgio Monteiro.

No final de outubro, foi anunciado pelo Banco de Portugal que Sérgio Monteiro iria integrar o Fundo de Resolução bancário para liderar a venda do Novo Banco e, de acordo com os bloquistas, é fundamental haver "transparência" nesta contratação.

Na intervenção em Évora, Catarina Martins abordou também o compromisso assinado pelo BE com o PS e admitiu que este acordo “tem limitações” e “riscos”, mas argumentando que “nada seria mais limitado ou mais arriscado” do que o seu partido “ter ficado parado a ver a direita governar”.

“Nós, isso não fizemos, não faremos”, afirmou, acrescentando que, fruto do entendimento com o PS, “há caminho para fazer”, estando o BE disponível para esse percurso.

E, segundo a porta-voz do Bloco, “um dos caminhos que está a ser trilhado, neste momento”, é o que respeita ao do aumento do salário mínimo nacional, defendendo o seu partido que este “deve ser de 600 euros o mais cedo possível”.

“Mas, por isso, também fizemos um acordo para permitir que ele começasse a ser aumentado já. Para 530 euros em 2016, 557 em 2017” e para que possa “chegar aos 600 euros antes do final da legislatura”, indicou.

Em relação às eleições presidenciais, Catarina Martins defendeu que, para esta escolha, “o país que quer ter voz” não pode “ser novamente silenciado”.

Marisa Matias é “a candidata mais bem preparada”, frisou, incentivando: “Tirámos à direita a maioria, tirámos à direita o Governo, vamos agora ter uma presidente de esquerda.”